Com formação em Artes Plásticas e um percurso que se estende pela fotografia, design, cerâmica, curadoria e ensino, Sílvia construiu uma prática multidisciplinar onde diferentes áreas se alimentam mutuamente.
Na SCAR-ID, esse percurso traduz-se numa curadoria assente na qualidade, na sustentabilidade e na valorização de criadores independentes.
"A ética não se aprende, vem de base — e a sustentabilidade é uma obrigação de um posicionamento em sociedade."
P: Como começou o teu percurso criativo? Como chegaste aos dias de hoje? Que influência tiveram as Artes Plásticas no teu percurso?
R: O curso de Artes Plásticas, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, deu-me uma base muito abrangente, que me permitiu trabalhar em diferentes áreas ao longo do tempo. Passei pela fotografia, pela cerâmica, pelo design, pela curadoria e pelo ensino, e sinto que foi essa formação que uniu todas as experiências profissionais que fui acumulando.
Curiosamente, nunca mais pintei depois de terminar o curso. Talvez um dia volte.
O meu percurso foi acontecendo de forma muito natural, sem um plano definido. Cada oportunidade abriu caminho para a seguinte — da fotografia ao ensino, da História da Arte à coordenação do curso de Design do IAI, e mais recentemente à cerâmica, onde reencontrei o prazer de trabalhar diretamente com a matéria.
P: Tens alguma formação ou experiência que tenha influenciado a tua visão sobre a relação entre design, ética e sustentabilidade?
R: A formação em Artes Plásticas foi determinante para desenvolver uma visão transversal das disciplinas criativas. No caso da SCAR-ID, muito do que aprendemos aconteceu ao longo destes doze anos de trabalho, enfrentando desafios e encontrando respostas de forma criativa.
A ética não se aprende, vem de base, e a sustentabilidade é uma consequência natural dessa forma de estar. Ao introduzirmos novos produtos num mercado já saturado, procuramos fazê-lo com sentido de missão, incentivando um consumo mais consciente: comprar menos, mas melhor.
Para nós, sustentabilidade significa sobretudo proximidade, responsabilidade e cuidado.
P: Como descreves o processo curatorial da SCAR-ID? Qual a importância de existir um espaço físico?
R: A curadoria acontece de forma muito orgânica. Estou constantemente atenta ao que acontece nas áreas criativas e, quando surge a vontade de integrar uma nova marca, organizar uma exposição ou promover uma conversa, tudo acontece de forma bastante natural.
O espaço físico é absolutamente essencial. Trabalhamos com objetos e com pessoas, e a loja-galeria é o lugar onde essas duas dimensões se encontram.
Acredito profundamente na importância de uma cidade viva, feita de lojas, galerias, cafés, ateliers, floristas e espaços culturais que alimentam a vida urbana. Sinto que a SCAR-ID faz parte desse diálogo e desse ecossistema. Manter uma loja-galeria física é, para mim, quase um manifesto a favor da cidade e da convivência entre pessoas.
Não faria sentido existir SCAR-ID sem esse espaço.
P: Que desafios encontras atualmente no setor do design independente e sustentável em Portugal?
R: O principal desafio continua a ser o mesmo: a reduzida capacidade de compra do público nacional. Os produtos que apresentamos têm um preço justo para quem os cria, mas nem sempre são compatíveis com a realidade económica portuguesa.
Por outro lado, as pequenas marcas enfrentam também enormes desafios ao nível da produção. Ainda existe pouca abertura da indústria para colaborar com designers e projetos independentes.
P: O que representa para ti o bairro Miguel Bombarda?
R: Estamos em Bombarda há mais de doze anos. Ao longo deste tempo o bairro transformou-se. Se antes era marcado sobretudo pelas galerias de arte, hoje integra também lojas, ateliers, cafés, floristas e muitos outros projetos que lhe dão identidade. É essa diversidade que faz de Bombarda um lugar especial para trabalhar.
Existe um verdadeiro sentido de comunidade, de entreajuda e de proximidade. Conhecemo-nos, colaboramos e sabemos que podemos contar uns com os outros sempre que é preciso.
Portefólio
A prática da SCAR-ID cruza curadoria, design de autor e criação artística, reunindo marcas independentes, produção responsável e projetos desenvolvidos em diferentes áreas, da cerâmica ao design contemporâneo.
SCAR-I10 — Open Call / Exposição (2023)
Projeto comemorativo dos 10 anos da SCAR-ID, reunindo mais de 50 participantes e propostas transdisciplinares apresentadas em conversas e exposição final.
Amálgama Líquida — jarra em grés com vidrado branco
Peça desenvolvida pela artista no âmbito da Open Call do 10.º aniversário da SCAR-ID; integra a linha ATER.
Casaco — acrílico preto sobre branco
Peça da coleção ATER x LIV, desenvolvida em coautoria com a marca LIV.
Como colaborar
A SCAR-ID dedica-se à curadoria e divulgação de design de autor produzido por marcas e criadores independentes, reunindo moda, acessórios, cerâmica e objetos de design produzidos de forma responsável.
Para além da loja-galeria, desenvolve projetos de consultoria criativa, curadoria, parcerias e acompanhamento de marcas independentes.
Se pretende conhecer as marcas representadas, propor uma colaboração ou visitar o espaço, a equipa da SCAR-ID está sempre disponível para receber novos projetos e novas ideias.
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Instagram Silvia Pinto Costa
Email: info@scar-id.com