Aqui, circularidade não é apenas sobre resíduos - é sobre relações. É prolongar ciclos de vida, partilhar recursos, repensar modelos económicos e, sobretudo, construir tudo isso com e para as pessoas.
Aqui, circularidade não é apenas sobre resíduos - é sobre relações. É prolongar ciclos de vida, partilhar recursos, repensar modelos económicos e, sobretudo, construir tudo isso com e para as pessoas.
Bombarda é reconhecida como um dos principais polos criativos do Porto, onde arte, design, comércio independente e cultura convivem lado a lado. Mas há outro elemento que ajuda a definir a identidade do bairro: a música.
Mais do que um lugar para assistir a concertos, Bombarda é um território de descoberta. Aqui encontramos espaços dedicados ao vinil, rádios independentes, projetos culturais e comunidades que fazem da música uma forma de encontro, partilha e experimentação.
Se gosta de explorar novos sons, conhecer artistas ou simplesmente perder-se entre discos e conversas sobre música, estes cinco espaços merecem uma visita.
Com mais de três décadas de história, a Matéria Prima é uma referência para quem procura descobrir música para lá dos circuitos mais comerciais.
Especializada em discos, livros, revistas e publicações independentes, reúne um catálogo cuidadosamente selecionado e uma forte ligação às editoras e artistas independentes.
A programação do espaço inclui regularmente apresentações, lançamentos e iniciativas dedicadas à cultura musical, fazendo da Matéria Prima um dos locais incontornáveis para quem gosta de explorar novas propostas sonoras.
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A Open Box é um espaço cultural onde diferentes disciplinas artísticas se encontram, incluindo a música. A sua programação acolhe concertos intimistas, DJ sets, performances e eventos multidisciplinares que convidam à descoberta de novos artistas e formatos.
Com uma agenda dinâmica e em constante renovação, é um daqueles espaços que vale a pena acompanhar, porque cada visita pode revelar uma experiência diferente e uma nova banda sonora para o bairro.
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Na Circus Network, a música faz parte da identidade do projeto.
Para além da programação artística e cultural, o espaço integra uma Record Shop especializada em vinil, onde é possível descobrir edições novas e usadas que percorrem universos como house, techno, jazz, soul, hip-hop, eletrónica e música experimental.
Entre lançamentos, encontros informais e uma forte ligação à criação contemporânea, a Circus Network é um espaço onde a música se cruza naturalmente com a arte e a cultura visual.
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A Yé Yé Radio trouxe uma nova dimensão ao bairro ao criar um espaço dedicado à rádio independente e à cultura musical contemporânea.
Através de emissões regulares, programas de autor, DJs convidados e projetos colaborativos, promove artistas emergentes e dá voz a diferentes comunidades criativas.
Mais do que um estúdio de rádio, é um ponto de encontro onde a música é partilhada, discutida e celebrada, contribuindo para a diversidade cultural que caracteriza Bombarda.
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Para quem aprecia a experiência de descobrir música em formato físico, a Mint Mint é uma paragem obrigatória.
Especializada em discos de vinil, a loja reúne uma seleção cuidada que atravessa diferentes géneros e épocas, tornando-se um ponto de encontro para colecionadores, DJs e todos os que gostam de explorar novas sonoridades.
Ao longo do ano, o espaço acolhe também sessões de escuta, apresentações e pequenos eventos que reforçam a ligação entre a música e a comunidade criativa de Bombarda.
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Em Bombarda, a música vive além do palco.
Está nas lojas que preservam a cultura do vinil, nas rádios independentes que revelam novos talentos e nos espaços culturais onde diferentes expressões artísticas se cruzam.
Cada um destes lugares contribui, à sua maneira, para a identidade criativa do bairro e convida a descobrir a música de forma mais próxima e espontânea.
Entre sem destino, deixe-se levar pela curiosidade e descubra o seu próximo disco ou a sua próxima playlist.
Entre fotografia, escrita e curadoria, o seu trabalho constrói-se através da observação, da investigação e da criação de relações entre imagens, textos e pessoas. A sua prática procura explorar aquilo que permanece invisível, questionando a forma como percebemos o mundo e construímos memória.
P: Que denominador comum encontras entre a fotografia, a palavra escrita e a curadoria
R: A fotografia, a escrita e a curadoria são formas de expressão que utilizo para lidar com as inquietações do quotidiano.
Embora a fotografia possa assumir uma dimensão mais comercial e a escrita uma vertente mais académica, ambas continuam a ser práticas criativas onde encontro espaço para aprofundar pensamento e experimentação.
Desde criança, a leitura foi um refúgio e um território de ideias. A fotografia levou-me a organizar visualmente o mundo, seja através de um objeto, seja na composição de uma exposição.
A curadoria surgiu de forma semelhante, através de um convite da CRU Creative Hub, depois de vários anos de colaboração. Ao longo desse percurso percebi que, no fundo, tudo o que faço passa pelo mesmo gesto: editar, compor e estabelecer relações.
O denominador comum entre estas práticas é precisamente esse ato de selecionar, cortar e escolher — decidir aquilo que será falado, visto e mostrado ao mundo.
P: Quais são as tuas principais fontes de inspiração?
R: Inspiram-me autores que exploram a experimentalidade da linguagem e da escrita.
Inspiram-me obras que habitam o território do infraordinário, do marginal e do invisível, seja pelos materiais, pelas técnicas ou pelas relações que estabelecem.
Inspiram-me também a generosidade das pessoas que me rodeiam, a amizade, e a simplicidade que algumas obras apenas alcançam depois de um longo processo de maturação.
No fundo, encontro inspiração em tudo e em nada, sempre nesse lugar entre o absoluto tédio e a infinita curiosidade.
P: Que novos desafios criativos gostarias de abraçar nos próximos anos?
R: Quero continuar a desenvolver o projeto Cartografia para uma Biografia, iniciado em 2024, expandindo-o através de residências artísticas, investigação e colaborações.
Pretendo aprofundar igualmente o trabalho na escrita experimental e na edição de publicações, sob a forma de livros de autor, ensaios ou revistas.
Gostaria também de continuar a colaborar com artistas de diferentes disciplinas e aprofundar o design expositivo na área da curadoria.
Na investigação académica, desejo continuar a explorar a relação entre fotografia e tempo.
P: Que objeto ou ritual não pode faltar no teu dia a dia de trabalho?
R: Não tenho objetos ou rituais fixos, porque nenhum dia é igual ao anterior.
Ainda assim, existe um gesto que antecede quase sempre o trabalho: preparar o espaço. Antes de escrever ou de imaginar uma imagem, sinto necessidade de reorganizar o ambiente.
Depois seguem-se normalmente uma leitura dispersa, uma deambulação e uma chávena de café.
P: O que significa Bombarda para ti?
R: Bombarda representa a ideia viva de comunidade, no seu sentido mais amplo.
É um espaço de partilha, encontro e transformação permanente, alimentado pela diversidade dos seus membros e por uma ética de acolhimento, hospitalidade e vitalidade.
Para mim, Bombarda foi sempre um lugar onde projetos e ideias ganharam forma, onde diferentes modos de expressão, de vida e de criação se encontram e dialogam.
A prática artística de Rossana Mendes Fonseca cruza fotografia, escrita, curadoria e investigação, explorando a imagem enquanto território de pensamento, memória e experimentação.
Tradução dos textos originais (em inglês) de Virginia Woolf: Letter to a Young Poet, Street Haunting: A London Adventure, and Craftsmanship para português + Imagens realizadas a partir de levantamentos de emulsão de polaroids a preto e branco.
Agosto, 2024.
Texto em papel esquiço, levantamentos de emulsão de polaroids em papel de aguarela, linho pintado a óleo — objectos de uma cartografia biográfica, instalados no Estúdio Aro de 28 de junho a 31 de julho, 2024.
Desenvolvimento artístico do Doutoramento em Arte Contemporânea, no Colégio das Artes da Universidade de Coimbra.
[trans]sombre, série de 4 fotografias, realizadas a partir de uma coreografia com luz de Marta Cunha com máscaras criadas por Carmo Paulino e João Apolinário Mendes, impressas em papel fotográfico, 70x100cm, instaladas na CRU creative hub, de 21 de março a 25 de abril, 2015.
Cartographies of Deviations. Mapping Origins and Narratives, exposição colectiva com obras das artistas Glorija Lizde, Izzy Benigno, Lana Stojićević, Stela Mikulin and Tanja Minarik, resultado da Residência de Curadoria no Culture Hub Croatia [PROSTOR], entre 4 de agosto a 2 de setembro de 2024, exposição patente entre 28 de agosto a 20 de setembro, 2024.
Rossana Mendes Fonseca desenvolve projetos artísticos, curatoriais e editoriais dedicados à fotografia, à escrita e à cultura visual. Realiza comissões fotográficas, direção artística, projetos editoriais, curadorias, residências, workshops, docência e consultoria nas áreas da imagem e da arte contemporânea.
Está disponível para colaborações artísticas, investigação, programação cultural e projetos interdisciplinares.
Contactos
Entre exposições, festivais, edições e projetos paralelos como a Circus Records e a Jazzego Records, o percurso de André reflete uma prática profundamente ligada à experimentação e à cultura urbana.
Num território como Bombarda, onde diferentes linguagens criativas se cruzam diariamente, o seu trabalho afirma-se como ponto de encontro entre artistas, públicos e cidade.
P: Além da Circus, sabemos que fazes muito mais como criativo de Bombarda - queres falar um bocadinho sobre o teu percurso e como concilias todas as tuas frentes de trabalho?
R: De uma forma resumida, concilio tudo mal e dormindo pouco. A Circus é, sem dúvida, o projeto principal, logo a seguir à família (que isto de ser pai tem muito que se lhe diga), sendo o que me toma mais tempo.
P: Como descreves o teu processo curatorial e a forma como escolhes os artistas com quem trabalhas?
R: Cada projeto tem uma curadoria específica que advém de um processo de discussão ativa entre vários intervenientes. Briefings específicos requerem artistas adequados para tal. Quando é uma modalidade mais livre, grande parte da curadoria parte de uma premissa muito básica: aquilo que consideramos bom, o que nos atrai e o que nos entusiasma naquele momento.
P: Quais são as tuas principais fontes de inspiração ou referências estéticas?
R: Atualmente, sou largamente inspirado pelo movimento post-graffiti, que traz uma nova vertente de exploração abstrata para o muralismo.
Tenho também estado muito interessado no trabalho do artista venezuelano Carlos Cruz-Diez e nos lookbooks do designer Salehe Bembury. Ainda assim, grande parte da inspiração vem de onde sempre veio: da cultura de sapatilhas e das capas de discos. Não é incomum encontrar referências a Wu-Tang Clan e outros clássicos nas exposições que fazemos.
P: Quais são algumas das músicas que tens ouvido recentemente? E um livro que te tenha marcado?
R: Das músicas que tenho ouvido recentemente destaco:
Um livro que me marcou: Shoe Dog, de Phil Knight
P: Que espaços de Bombarda recomendarias a quem quer descobrir o bairro criativo?
R: Bicho, Época, Matéria Prima, Ó Cerâmica, Cruzes Canhoto e Decomur.
A prática da Circus Network cruza diferentes formatos — festivais, exposições, edição musical e projetos colaborativos.
Fenda — Festival Internacional de Arte Pública Festival que promove o diálogo entre artistas, comunidades e espaço urbano. Com curadoria da Circus Network, reúne criadores nacionais e internacionais em torno de murais, instalações e projetos colaborativos que transformam a paisagem da cidade.
Dollar Dollar Bills Y’all — Exposição coletiva internacional Exposição que reúne 27 artistas de diferentes países, desafiados a transformar a rara nota de dois dólares em obras de arte. O projeto combina técnicas tradicionais com realidade aumentada, explorando novas formas de expressão visual.
Granito I — Jazzego Records (2022)
Primeira compilação da Jazzego Records, reunindo músicos e produtores ligados à cena jazz e eletrónica contemporânea, celebrando a experimentação sonora e o espírito colaborativo.
A Circus Network atua como galeria, loja e agência criativa, desenvolvendo projetos de curadoria, representação artística, edição, produção de eventos e edição musical independente. Está aberta a colaborações, exposições, residências artísticas e propostas criativas.
Contactos: Website | Instagram
Email: circusnetwork.net@gmail.com
Entre aromas que despertam memórias e sabores que contam histórias, há um lugar em Bombarda onde o tempo abranda e a viagem começa antes mesmo de se provar o chá.
Entre o Vietname e Portugal, entre o aroma do chá e a vida do bairro, Thuy Thiên de Oliveira construiu em Bombarda um espaço de encontro. Um lugar onde culturas se cruzam, histórias se partilham e a hospitalidade se transforma numa forma de comunidade. Ao longo de quase duas décadas, a Mùi Concept ajudou a enriquecer a diversidade cultural do território, mostrando que, por vezes, uma simples chávena de chá pode aproximar mundos inteiros.
Na Rua de D. Manuel II, no coração criativo do Porto, o espaço MÙI Concept revela-se como um território de encontro entre culturas, gestos e tradições.
P: Thuy Thiên, há quanto tempo chegou a Portugal? O que a trouxe a Bombarda?
R: Cheguei a Portugal em finais de 1987 para dar aulas de inglês e de francês no Liceu Francês, a atual Escola Francesa.
Um amigo nosso (meu e do meu marido) tinha a primeira loja de chá em Lisboa. Fazíamos muitas coisas juntos, como visitas a plantações e viagens… a última que fizemos foi a uma plantação de chá no Vietname, por volta de 2004. Foi esse amigo, que infelizmente já morreu, que incentivou a abrir uma loja de chá pois eu conhecia muito bem os chás e a cultura vietnamita.
P: Porquê a cidade do Porto? Foi apenas um acaso ou uma oportunidade?
R: Abri a loja há cerca de 20 anos, em 2005, mas nessa altura não vendia ao público. Não conhecia bem o mercado e penso que este era muito tímido… foi um início muito lento e só há dois anos para cá verifico que cada vez mais jovens procuram a “Mùi Concept”.
P: Como sente que Bombarda recebeu este projeto Vietnamita? Quais foram os maiores desafios de que se recorda?
R: Fui eu que escolhi Bombarda e estive com a “Mùi” durante 10 anos no Centro Comercial de Bombarda. Em maio de 2022 encontrámos este espaço, na Rua D. Manuel II, que me agradou por ter muita luz natural e espaço, e permite-nos servir chá aos clientes no espaço exterior quando está bom tempo.
Em termos de iniciativas que dinamizem a loja, já recebemos alunos de Erasmus da Faculdade de Medicina, a quem tivemos a oportunidade de dar uma palestra sobre chás e as suas características medicinais. Com o bom tempo, recebemos lá fora 20 jovens de todo o mundo.
P: Qual é a importância do chá na cultura vietnamita? Qual é a diferença entre chá e tisana?
R: O chá vietnamita esteve sempre presente, pois faz parte integrante da cultura e da história do Vietname. Sempre que existe um pedaço de terra disponível para cultivo, é comum plantar-se uma planta de chá. A preparação do chá acontece tradicionalmente de manhã e, sempre que alguém visita a casa dos meus pais ou avós no Vietname é normal perguntar se deseja chá; é assim que gostamos de receber.
Quanto à diferença entre chá e tisana, esta última é uma bebida quente que não provém da planta do chá, a Camellia-sinensis. Infusões de ervas como a cavalinha ou a erva-príncipe são consideradas tisanas, uma vez que não derivam da Camellia-sinensis. Ao contrário do chá, as tisanas não contêm cafeína, enquanto que o chá verdadeiro é obtido a partir dessa planta e possui naturalmente cafeína.
P: Thuy Thiên, o que a motivou a criar a Mùi Concept e como surgiu a ideia de combinar chá com elementos culturais asiáticos?
R: Na loja temos muitos artefactos. O chá tem os seus acessórios próprios. E há-os para todas as ocasiões: de cerimónia, o Kung-fu chá e o Vietname chá (de convívio). Como não havia muitos produtos orientais de bom gosto, em Portugal, e só se encontrava produtos kitch (estilo bibelô) decidi trazer à cidade produtos mais requintados. A “Mùi Concept” quer afastar-se do conceito de “loja dos 300”. Com os produtos que vendemos queremos mostrar o que de mais belo temos para oferecer.
P: Como chegou até este projeto? Quais foram as suas principais motivações?
R: Primeiro, sempre gostei de chá; tenho pena de nem sempre conseguir dar a conhecer o chá pois em Portugal bebe-se muito mais café. Em qualquer café que se entre encontra-se chá da pior qualidade, e isso chocou-me imenso.
Como em Portugal não há chá de qualidade e tudo está muito direcionado para o café, a minha missão passa por dar a conhecer os melhores chás do mundo e fomentar o gosto a quem me visita pelas infusões.
P: O nome "Mùi" remete para o aroma em vietnamita. Como é que este conceito se reflete na experiência do cliente?
R: O conceito “Mùi”, que significa perfume, bom cheiro e “coentro” em vietnamita, reflete-se diretamente na experiência do cliente através do cheiro natural que se sente logo à entrada da loja. Esse aroma resulta da combinação dos chás oferecidos e cria uma identidade sensorial forte e autêntica.
P: Quais são os principais produtos que oferece e como os seleciona?
R: Eu crio os meus chás e começo por ser a primeira a prová-los. Descubro sabores e misturas que não conheço e depois ouço a opinião dos clientes. Mesmo que não tenha o chá que os clientes procuram, tento sempre oferecer uma solução parecida, até para que fiquem a conhecer novos sabores.
P: Sabemos que existe uma fusão possível entre os sabores asiáticos e os portugueses. Como e quais? É habitual fazer estas criações?
R: Existe, de facto, uma fusão possível entre os sabores asiáticos e os portugueses, e essa criação acontece através da valorização de ingredientes naturais e de técnicas cuidadas de preparação. Um exemplo dessa fusão é o Golden Camellia, uma criação inovadora que utiliza flores de camélia dourada provenientes do Vietname. Estas flores destacam-se não só pela sua origem asiática, mas também pelos inúmeros benefícios para a saúde, uma vez que são ricas em vitaminas e não contêm cafeína.
P: Que contributo tem tido na aproximação entre a cultura vietnamita e a cultura portuguesa?
R: Sou presidente e cofundadora da primeira Associação de Amizade Portugal-Vietname. A nossa missão é dar a conhecer e divulgar a cultura de ambos os países, nos seus mais diversos aspetos.
Eu e o meu marido gostamos muito de viajar e já fomos convidados a participar num Festival de Gastronomia Internacional em Hue, antiga cidade imperial do Vietname, onde levámos presunto, queijo e vinho portugueses. Já organizei congressos em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
É assim que dou a conhecer a cultura vietnamita em Portugal e que levo os sabores portugueses para o Vietname.
Quando organizo seminários relacionados com o chá, incluo um pequeno documentário sobre o Vietname, convido cineastas e poetas vietnamitas que, por sua vez, mostram que as nossas línguas têm muito em comum. Também faço parte da Associação Portuguesa das Camélias e, como há muitas camélias no Vietname, tentamos convidar produtores de camélias a falar sobre esse assunto e a fazer a aproximação às camélias do Norte de Portugal.
Há sempre uma simbiose entre a cultura portuguesa e a vietnamita a partir do chá. Com a divulgação do chá e das tisanas promovemos a sustentabilidade, a preservação das camélias e a nossa saúde.
P: Há projetos ou colaborações que gostaria de explorar neste espaço?
R: Sou recorrentemente convidada a fazer cartas de chá para hotéis e SPA’s, como no Six Senses no Douro. O Museu Oriente, a Casa Baltazar e a Confeitaria Nacional são alguns dos meus clientes localizados em Lisboa. Recentemente fui convidada a implementar o conceito de “Casa de Chá” na Fundação Mateus. Já participámos num evento organizado no Quarteirão das Artes em Bombarda: o “Afinidades na Cerâmica Contemporânea”.
P: A comunidade que encontrou em Bombarda tem um papel importante para si?
R: Quero permanecer em Bombarda e sinto que ainda existe espaço para reforçar o espírito de comunidade na zona. Procuro fazer parte ativa da dinâmica local, mas nem sempre é fácil, até porque a localização da Mùi Concept, fora dos eixos mais conhecidos de Bombarda, acaba por limitar a sua visibilidade.
P: O que poderia ser melhorado?
R: Gostaria de ver mais iniciativas e eventos que ajudassem a dinamizar esta parte da cidade e a aproximar as pessoas.
P: Há alguma mensagem que gostaria de deixar a quem visita a Mùi Concept?
R: A importância de pertencer a uma comunidade. Acredito profundamente que não podemos viver nem trabalhar sozinhos. Para mim, fazer parte de Bombarda sempre foi importante e, desde o início, procurei contribuir para a dinamização da zona e para a construção de um território mais vivo e mais próximo.
Contactos
Site oficial - https://www.mui-concept.pt/sobre
Morada - Rua D. Manuel II, 51 A, 4050-345 Porto, Portugal
Telefone - 933 689 764 / 938 713 639
Email - mui.gourmet@gmail.com
O Bombarda Digital é mais do que um conjunto de ferramentas digitais. É um ecossistema construído com a comunidade, que liga o território físico ao digital - e que existe para reforçar a visibilidade e a presença online do comércio local.
Este guia podera ser lido do início ao fim ou ir diretamente à secção que mais interessa.
1 - O que é o Bombarda Digital
2 - O que o Bombarda Digital pode fazer pelo teu negócio
3 - As ferramentas do Bombarda Digital
4 - Como ativar as ferramentas
5 - FAQ
6 - Contactos
1.1 Sobre o projeto
O Bombarda Digital é a extensão digital do bairro comercial criativo de Bombarda. Lançado em 2023, com financiamento do PRR, integra o programa Bairros Comerciais Digitais e é liderado pelo Município do Porto, em parceria com a Porto Digital, a Associação Quarteirão Criativo e a AHRESP.
O portal principal do projeto é bombarda.pt
1.2 Território
O projeto abrange atualmente as seguintes ruas:
Rua Miguel Bombarda · Rua do Rosário · Rua do Breiner · Rua da Boa Nova · Rua Adolfo Casais Monteiro · Rua D. Manuel II · Rua da Maternidade · Largo da Maternidade
1.3 Três eixos de intervenção
O Bombarda Digital desenvolve-se em três áreas principais, que ligam o território físico ao digital e reforçam a inovação, a sustentabilidade e a atratividade do bairro.
Eixo 01 — Ferramentas digitais, conteúdos e comunicação: plataformas, conteúdos e experiências online para reforçar a presença digital do bairro e dos seus negócios.
Eixo 02 — Intervenção no espaço público: novas infraestruturas e soluções digitais instaladas nas ruas do bairro.
Eixo 03 — Envolvimento e capacitação: apoio, formação e comunidade para os comerciantes locais.
Com o Bombarda Digital podes:
3.1 Eixo 01 - Ferramentas digitais, conteúdos, comunicação e identidade
- Diretório de Lojas / Shop in Porto Plataforma para registar o teu estabelecimento, garantido visibilidade automática no portal da cidade (Shop in Porto) e no portal bombarda.pt.
- Agenda de Eventos / Agenda Porto Plataforma para submeter os eventos do teu espaço. Ao submeter, o evento aparece automaticamente na Agenda da cidade (Agenda Porto) e no portal bombarda.pt.
- Descobrir espaços do bairro - Menu “Espaços”
- Explorar produtos e lojas - Menu “Loja Online”
- Consultar eventos e programação - Menu “Atividades”
- Explorar percursos e roteiros - Menu “Roteiros”
- Conhecer histórias e pessoas através de entrevistas, artigos, vídeos e podcasts - Menu “Artigos e Histórias”
3.2 Eixo 02 — Intervenção no espaço público
3.3 Eixo 03 — Envolvimento e capacitação do comércio local
Este eixo centra-se no apoio à comunidade comercial, promovendo a participação ativa dos comerciantes na construção do bairro digital.
👉 O Bombarda Digital nasceu da comunidade e, ao longo da sua implementação, trouxe essa mesma comunidade para momentos-chave de auscultação, ideação e avaliação.
Para beneficiarem do ecossistema Bombarda Digital, existem dois níveis de ativação e diferentes formas de aceder aos conteúdos.
4.1 Ativação principal
O primeiro passo é o registo na Shop in Porto:
👉 Inscreve-te neste link e assinala que pertences ao Bairro Comercial Digital Bombarda.
✔️ Se já estás inscrito na Shop in Porto, envia um email para shopinporto@cm-porto.pt a equipa enviará um formulário específico do Bombarda Digital para completares a tua adesão.
Com esta ativação, terás acesso a:
- Presença automática no Portal bombarda.pt
- Presença automática nos Quiosques digitais do bairro
- Conteúdos digitais de fotografia do teu espaço
- Possível integração em conteúdos como produtos, vídeos, podcasts e entrevistas
- Possível integração em eventos do território (como a Pop Up do Futuro)
- Identidade visual - elementos físicos para a montra
- Comunicação - redes sociais e portal
- Sessões de comunidade
O que é a Shop in Porto?
É a plataforma digital do Município do Porto onde os negócios da cidade se registam para serem promovidos. Sabe mais neste link.
4.2 Ativações adicionais
4.3 Acesso a conteúdos, comunicação e identidade visual
4.4 Apoio e comunidade
👉 Mantém-te atento ao portal e ao Instagram para todas as novidades.
O Bombarda Digital é uma extensão digital do bairro — construída com a comunidade. Quanto mais ativares e utilizares estas ferramentas, mais visível, relevante e integrado estará o teu negócio no território.
O Bombarda Digital é um projeto financiado pelo PRR #ConstruiroFuturo, liderado pelo Município do Porto, em parceria com a Porto Digital, a Associação Quarteirão Criativo e a AHRESP.
No Frida, não se vai apenas jantar. Entra-se numa casa onde a comida é memória, celebração e identidade. Um lugar onde a tradição mexicana é vivida com rigor, mas também com emoção — e onde Bombarda surge como o cenário natural para esta narrativa.
P: A vossa primeira ligação aconteceu enquanto estudantes Erasmus na Polónia. Quando se conheceram imaginaram que algum dia viriam a cozinhar juntos... no Porto, em Bombarda?
João: Na verdade, não. Conhecemo-nos enquanto estudávamos — eu em Economia e a Sol em Engenharia — e os nossos planos passavam por seguir carreira nessas áreas. Cozinhar juntos, muito menos ter um restaurante no Porto, não fazia parte dos nossos planos naquele momento.
P: O reencontro no México mudou o rumo das vossas vidas. O que alterou quando decidiram construir aí uma vida conjunta?
João: Foi no México que tudo começou a ganhar forma. A Sol mudou de cidade para estar comigo e tirou um curso de cozinha mexicana numa escola muito conceituada. Foi aí que começou a desenvolver um enorme gosto pela cozinha — e que começámos a falar, pela primeira vez, da possibilidade de um dia termos um restaurante mexicano em Portugal.
P: Após quatro anos no México, partiram numa viagem de 18 meses pela América Latina. Quais foram os momentos mais marcantes dessa experiência?
João: É difícil escolher. Passámos por 17 países e praticamente todos os dias acontecia algo marcante. Mas o que mais nos ficou foram as pessoas — como uma família em Quito que nos acolheu durante um mês sem pedir nada em troca.
Sol: Também houve momentos difíceis — perdemos os travões mais do que uma vez, enfrentámos calor extremo, frio, avarias constantes. Mas tudo isso nos ensinou muito.
João: Vivíamos com o essencial — às vezes com apenas 20 litros de água para tudo. Essa simplicidade fez-nos perceber que é preciso muito pouco para ser feliz.
P: De que forma essa experiência contribuiu para a ideia de abrir um restaurante?
João: Durante a viagem ficámos em casa de vários chefs na Colômbia, Argentina e Brasil. Isso foi muito importante. Conhecíamos a cozinha mexicana, mas não tínhamos experiência de restaurante. Foi aí que começámos a perceber melhor esse mundo.
P: Quais foram os ingredientes que definiram o conceito do restaurante?
João: Muitos dos nossos pratos têm história — alguns são pré-hispânicos, outros estão ligados à história do México. E sentimos que faz parte do nosso papel explicar isso.
Sol: Queremos que as pessoas sintam que estão a viajar, não apenas a comer. Que, por momentos, estejam no México.
João: A comida, na cultura mexicana, está presente em todos os momentos da vida. É algo profundamente identitário — e isso reflete-se no que fazemos.
P: O que vos levou a escolher Bombarda para abrir o Frida?
João: Quando chegámos ao Porto, Bombarda foi uma das primeiras zonas onde procurámos. Já tínhamos o nome “Frida” e o bairro encaixava perfeitamente naquilo que imaginávamos.
Quando vimos o espaço, sentimos imediatamente que era o local certo. A ligação à arte foi determinante.
P: Como sentem que Bombarda dialoga com o espírito do restaurante?
João: Exigimos que cada prato seja uma obra de arte — mesmo sendo efémera. E essa dimensão artística liga-se muito bem com o bairro.
Ao fim de mais de 10 anos, criou-se uma relação natural: quem visita o Frida reconhece o Bairro das Artes, e quem percorre o bairro sabe que o Frida faz parte dele.
P: De que forma o bairro influencia a relação com os vossos clientes?
João: Inicialmente pensávamos que o nosso público seria sobretudo português, mas hoje recebemos muitas pessoas de fora — Holanda, Estados Unidos, França, Inglaterra…
Sol: Criam-se relações muito especiais. Há clientes que deixam desenhos, peças, memórias. Alguns tornam-se amigos.
João: E recebemos cada vez mais mexicanos — o que é muito importante para nós. Conseguir surpreendê-los, com pratos autênticos, é um grande reconhecimento.
P: Que desafios enfrentaram ao abrir um restaurante tão ligado à cultura mexicana em Portugal?
Sol: No início, não havia fornecedores para muitos ingredientes — nem em Portugal, nem facilmente na Europa.
João: E formar equipa também não foi fácil. Mesmo um excelente chef português não conhece a cozinha mexicana, por isso é preciso abertura para aprender.
P: O que pretendem transmitir através dos vossos pratos?
Sol: O orgulho e a paixão pela cultura mexicana. Cada prato tem identidade, história e emoção.
João: Queremos mostrar as várias dimensões da cozinha mexicana — da comida de rua à comida de família, dos pratos históricos aos contemporâneos. E que as pessoas sintam vontade de voltar.
P: Como constroem o ambiente familiar dentro do restaurante?
João: Somos exigentes, mas procuramos criar uma relação de confiança com a equipa.
Sol: Ouvimos ideias, envolvemos todos. Queremos que se sintam parte da casa.
P: O que representa Frida Kahlo para o vosso projeto?
João: O nome surgiu da nossa viagem — da Kombi Amália-Frida. Representa a ligação entre Portugal e o México. Frida Kahlo é uma figura icónica da cultura mexicana, e fazia todo o sentido para o restaurante.
P: Como mantêm vivo o espírito de descoberta e autenticidade?
João: Não é fácil — há limitações de ingredientes e custos. Mas vamos adaptando a carta, criando novos pratos e explorando possibilidades.
P: Que futuro imaginam para o Frida?
João: Queremos manter o que temos. Crescer, às vezes, pode significar perder identidade — e isso não queremos.
No Frida, Sol e João continuam a viajar — não pelas estradas, mas pelos sabores que colocam em cada prato. Uma história que começou longe, mas que encontrou em Bombarda o lugar para continuar a ser escrita todos os dias — sempre que alguém se senta à mesa.
Contactos
Morada: Rua Adolfo Casais Monteiro, 135, Porto
Horário: Almoço: 12h30 – 15h00 | Jantar: 19h00 – 00h00
Site: Frida – Bienvenidos a su casa
Telefone: 22 606 22 86
Email: info@cocinamestiza.pt