Sobre
os pilares
A essência
de Bombarda
O QUE TORNA BOMBARDA ÚNICA?
Quarteirão Bombarda
No coração do Porto, o Quarteirão de Miguel Bombarda é conhecido como o “Quarteirão das Artes” ou o hub criativo da cidade.
Nasceu no século XIX, como bairro residencial burguês, com palacetes e casas senhoriais. Com a industrialização, acolheu fábricas e oficinas, mas o abandono de muitas destas no século XX levou a um período de estagnação.
Nos anos 90, artistas e galeristas devolveram vida a esta zona, convertendo antigos espaços em galerias, ateliês e lugares de fruição cultural. O aparecimento de novas lojas, cafés e restaurantes reforçou essa dinâmica. O espírito de comunidade e associativismo moldaram a identidade coletiva e criativa do quarteirão.
Hoje, Bombarda é um território vibrante e multifacetado, onde mais de 200 estabelecimentos, da arte ao design, do comércio à restauração, convivem com moradores, visitantes e uma forte comunidade cultural, num equilíbrio entre identidade e experimentação.
O Quarteirão Bombarda é atualmente delimitado pelas ruas de Miguel Bombarda, Rosário, Breiner, Boa Nova, Adolfo Casais Monteiro, D. Manuel II, Maternidade e pelo Largo da Maternidade.
Bombarda Digital
Lançado em 2023, o Bombarda Digital é a extensão digital de um bairro comercial criativo e pulsante. Integrado no PRR – Bairros Comerciais Digitais, o Bombarda Digital é liderado pelo Município do Porto, em parceria com a Porto Digital, a Associação Quarteirão Criativo e a AHRESP.
A iniciativa integra comércio, criatividade e inovação: promove a transição digital dos negócios locais, cria novas formas de descobrir Bombarda e envolve a comunidade em experiências coletivas. O Bombarda Digital consolida o quarteirão num laboratório vivo de inovação.
Compromisso e os ODS
- Valorizar a identidade cultural e criativa do território.
- Impulsionar o comércio local, com inovação e sustentabilidade.
- Criar pontes entre a comunidade, a cidade e o mundo.
Alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, o projeto contribui para:
- ODS 8 — Trabalho digno e crescimento económico - apoio às PME locais e empreendedores.
- ODS 9 — Indústria, inovação e infraestruturas - conectividade de nova geração (fibra, 5G, Wi-Fi 6).
- ODS 11 — Cidades e comunidades sustentáveis - um bairro inclusivo e acessível para todos.
- ODS 16 — Paz, justiça e instituições eficazes - participação cidadã através de auscultação e cocriação.
Adélia nasceu em Vila Cova, uma pequena aldeia de Penafiel, no distrito do Porto. A mais nova de sete irmãs, cresceu entre histórias contadas pelo avô materno — o primeiro a despertar-lhe o gosto pela imaginação e pela palavra.
“O mundo dos livros obriga-me a nunca estagnar."
Entre as longas ausências da mãe, sempre a trabalhar fora de casa, encontrou companhia nos animais que a seguiam: gatos e cães que, muitas vezes, escondia e alimentava em segredo.
Licenciada em Educação de Infância pela Escola Superior de Educação do Porto, dedicou-se naturalmente ao universo das palavras e da infância. Esse percurso levou-a à fundação da Editora Tcharan, em parceria com a ilustradora Marta Madureira, e à criação da Livraria Papa-Livros, hoje um espaço de encontro entre leitores, autores e histórias.
P: Como, quando, e em que contexto surgiu a livraria Papa Livros e a editora Tcharan?
R: Em novembro de 2008, depois de anos a lecionar em várias escolas, decidi abrir um espaço onde a literatura pudesse crescer junto com os leitores. Assim nasceu, no Porto, a Papa-Livros — uma livraria dedicada ao público infantil e juvenil.
A inauguração contou com uma madrinha especial, a escritora Matilde Rosa Araújo, presença de honra num momento que marcou o início de um projeto profundamente ligado ao livro ilustrado. Desde então, a livraria tem sido palco de lançamentos, apresentações e exposições de ilustração, sempre com a mesma missão: acreditar que a leitura é um portal para a imaginação e fazer com que pequenos e grandes leitores vivam a magia de cada página.
Dois anos depois, em 2010, nasceu a Tcharan, uma editora dedicada sobretudo ao álbum ilustrado e à literatura infantojuvenil. O primeiro livro publicado foi “A Crocodila Mandona”, e desde então a lista não parou de crescer. O nome da editora surgiu de forma espontânea, entre amigos, ideias e acaso. Lançou-se um desafio à procura de um nome e chamaram-no, ironicamente, “Tcharan!”.
Depois de muitas sugestões, percebi que a resposta estava logo ali: na própria palavra que dava início ao jogo.
“Tcharan” ficou, e continua a traduzir o espírito com que tudo começou, o espanto, a descoberta e a alegria do mundo dos livros.
P: De todos os teus livros, qual é aquele que tens mais junto ao coração, e porquê?
R: “A Crocodila Mandona”, foi o livro que deu origem a tudo, à vontade de criar uma editora com a Marta Madureira e de continuar a contar histórias com liberdade e imaginação. Abriu a primeira porta… e, a partir daí, vieram muitas outras portas/histórias.
P: Qual o maior privilégio que a tua atividade profissional te traz?
R: O maior privilégio é o de nunca estagnar. O mundo dos livros e da cultura mantem-me sempre em movimento, a conhecer pessoas que admiro (e outras que passo a admirar), a cruzar saberes, a aprender todos os dias. E, no meio disto tudo, é a fazer novos amigos que me vão dando força e sentido ao meu caminho.
P: Revela-nos o que costumas ter em cima da tua secretária de trabalho, num dia perfeitamente normal.
R: Livros, sempre uma pilha de livros que vai mudando com os dias.
Um copo cheio de canetas e lápis, o moleskine com notas e listas de tarefas, uma caneca de café ou chá, o computador, o telemóvel e, claro, a minha máquina de calcular. Há também maçãs e frutos secos — cajus, nozes… pequenas reservas de energia para acompanhar as ideias.
P: Que razões te levaram a sediar a Papa-Livros em Bombarda, em 2008?
R: Escolhi a Rua Miguel Bombarda por já ter, na altura, uma forte identidade cultural, marcada pelas galerias de arte e pelas suas inaugurações cheias de vida. Era (e continua a ser) uma zona onde convivem novas estéticas, design e pensamento criativo, com lojas e projetos que respiram arte e contemporaneidade.
Tudo isso ia ao encontro do público que eu procurava para a Papa-Livros, curioso, sensível e aberto ao mundo das ideias e da imaginação.
Obras em destaque
Universo de papel e tinta
Portefólio / Exemplos de Trabalho
Título: Era uma vez um Cão
- Texto: Adélia Carvalho
- Ilustração: João Vaz de Carvalho
- Editora: Tcharan
- Louças: Vista Alegre
Título: O que é a Família?
- Texto: Adélia Carvalho
- Ilustração: Gabriela Araújo
- Editora: Tcharan
Título: Mário e o Comboio da Liberdade
- Texto: Adélia Carvalho
- Ilustração: Nuno Saraiva
- Editora: Tcharan
Título: O Sol à Noite Não Desenha
- Texto: Adélia Carvalho
- Ilustração: Pierre Pratt
- Editora: Tcharan
Título: Um Principezinho
- Texto: Adélia Carvalho
- Ilustração: Guridi
- Editora: Tcharan
P: Como podemos contactar a Papa-Livros e que produtos e serviços podemos encontrar?
R: A Papa-Livros está disponível para venda de livros, venda de ilustração e serviços como organização e curadoria de eventos literários e artísticos como: festivais literários, festas de ilustração, encontros com autores, moderação de conversas, horas do conto (sessões em escolas, bibliotecas, etc.), apresentações de livros, exposições de ilustração. Visitas de estudo para o secundário e universitário, para escolas e infantários a partir dos 3 anos, com horas do conto ou oficinas de ilustração. Visitas e conversas sobre ilustração e edição.
Contactos:
Morada: Rua Miguel Bombarda, nº 523, Porto
Telefone: (+351) 220 931 549
Email: papa.livros1@gmail.com | encomendaspapa.livros@gmail.com
Website: https://papalivros.pt/
P: Como contactar a Tcharan?
R: A Tcharan está disponível para serviços de edição de livros, produção de design gráfico, paginação de livros, representações e comissões artísticas de ilustração e escrita, oficinas de escrita criativa.
Contactos:
Telefone: (+351) 220 931 549
Email: tcharan.editora@gmail.com
Website: https://www.tcharaneditora.pt/
No Episódio 2 do Podcast Bombarda, Liliana Alves e Jorge Azevedo partilham como a nova geração de empreendedores está a reinventar o comércio criativo no Quarteirão. Numa conversa moderada por André Ramos, falam de colaboração, resiliência e das relações que dão vida ao espírito comunitário de Bombarda.
Neste episódio, entramos no universo dos novos empreendedores que estão a redefinir o que significa ter um negócio criativo em Bombarda, exploramos como uma nova geração está a unir forças, reinventar práticas e manter viva a alma colaborativa de Bombarda.
Porquê ouvir?
O podcast “Gerações Novas, Lutas Antigas” mostra o lado humano e inspirador de quem empreende com propósito. Um retrato realista e afetuoso de Bombarda — feita de colaboração, criatividade e um espírito coletivo que transforma desafios em oportunidades.
O que é o Podcast Bombarda?
O Podcast Bombarda é uma série criada pela equipa Bombarda Digital que dá voz a quem faz do Quarteirão um verdadeiro laboratório criativo — entre criatividade, comércio e comunidade.
No Episódio 1 do Podcast Bombarda, Ana Silva (Copo D'Uva) e Ema Ribeiro (Ó! Galeria) partilham com Dora Gonçalves, técnica superior da Divisão Municipal de Comércio da Câmara Municipal do Porto, o que realmente acontece por trás das montras. Entre conversas sobre gestão de stocks, sazonalidades, fornecedores e canais digitais, revelam o lado menos visível — e muitas vezes mais exigente — de manter uma loja viva num bairro onde o comércio é também cultura.
São explorados ainda os desafios diários de gerir um negócio num bairro onde comércio e cultura se cruzam, revelando o que acontece para além das montras.
Porquê ouvir?
O podcast Uma Loja Invisível revela o coração pulsante de Bombarda - feito de dedicação, estratégia e criatividade. Um episódio essencial para quem ama o bairro, apoia o comércio local ou simplesmente quer perceber o que mantém viva a alma das cidades.
O que é o Podcast Bombarda?
O Podcast Bombarda é uma série criada pela equipa Bombarda Digital que dá voz a quem faz do Quarteirão um verdadeiro laboratório criativo - entre criatividade, comércio e comunidade.
A história de Fernando Santos confunde-se com a própria afirmação artística do Porto e com a construção da identidade cultural de Bombarda. O seu percurso tem sido marcado pela persistência, pela visão e por um compromisso contínuo com a arte contemporânea.
“Educar para a arte é o nosso contributo para que o Porto nos entenda, nos visite e nos acolha.”
Hoje, a Galeria Fernando Santos é uma referência incontornável no panorama nacional e uma peça-chave na consolidação do Quarteirão das Artes, em Miguel Bombarda.
Percurso e identidade criativa
P: Fernando, conte-nos: quem é o homem por detrás da Galeria Fernando Santos?
R: Sou alguém que gosta do que faz. Nasci ligado ao Museu Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, e desenvolvi este projeto ao longo de quase 40 anos, sempre com paixão. A relação próxima com artistas e colecionadores foi-se consolidando com o tempo.
P: Que influência teve o trabalho do seu pai no Museu Amadeo de Souza-Cardoso, em Amarante, no percurso artístico por si escolhido, num outro movimento artístico: o da arte contemporânea?
R: Cresci nesse meio institucional. O meu pai fez-me aproximar muito do museu e foi aí que o gosto pela arte se formou. Se não fosse isso, talvez nunca tivesse seguido esta profissão. A cultura exige trabalho e persistência. Criar gosto pelo colecionismo é um processo de confiança — e a galeria tem feito esse trabalho com seriedade, junto de artistas e colecionadores.
P: Pode falar-nos um pouco acerca desse trabalho que tem vindo a ser feito entre a galeria, os artistas e os colecionadores?
R: Comecei em Amarante, depois na Galeria Nasoni, um projeto muito importante onde estive sete anos. Mais tarde instalei-me na Rua Miguel Bombarda, onde estou desde 1997. Tive também uma galeria em Lisboa, mas decidi concentrar-me no Porto. Hoje ocupamos um quarteirão inteiro e prestamos um verdadeiro serviço cultural à cidade.
P: Li numa entrevista ao site "Arte Capital" que sua colaboração com a Galeria Nasoni foi o passaporte de entrada na cidade invicta. Porque se refere a esta Galeria com uma verdadeira "universidade"?
R: Porque não há escolas para formar galeristas. Aprende-se no contacto direto com artistas e colecionadores. As galerias são as verdadeiras escolas, onde os colaboradores ganham experiência antes de criarem os seus próprios espaços ou seguirem para instituições museológicas.
P: O que ia na cabeça de um jovem que aos 22 anos de idade decide inaugurar a própria Galeria de Arte? Quais eram as suas aspirações nessa altura?
R: Por acaso e oportunidade. Em 1993 a galeria estava localizada na Rua D. Manuel II, mas a Rua Miguel Bombarda tinha espaços disponíveis e preços acessíveis. Instalei-me aqui por volta de 1997.
Miguel Bombarda e o início de um movimento
P: É considerado pioneiro nesta zona. Como foi o processo de atrair colegas para formar o que hoje conhecemos como o "Quarteirão das Artes"?
R: O processo foi natural. Havia espaços vagos, e outros galeristas acabaram por se juntar. A cidade, com o tempo, reinventou-se. O título "Porto Capital da Cultura" deu um impulso enorme, e o turismo também ajudou. Mas para haver turismo tem de haver cultura — e cabe-nos oferecer propostas de qualidade, para que quem nos visita leve uma boa imagem da cidade.
Espaços e Acessibilidade
P: A galeria cresceu e interligou vários espaços — Project Room, CUBO, Espaço 531. O que o motivou a expandir?
R: A expansão resultou de uma espera de 15 anos até conseguirmos o espaço ideal. Hoje a galeria tem cerca de 1200 metros quadrados. Unificámos os espaços para potenciar o percurso expositivo. Não podemos ficar parados — há sempre novos projetos em andamento.
Arte, comunidade e cultura urbana
P: Tem dito que a relação entre artista, galerista e colecionador é quase familiar. Como constrói esses laços de confiança?
R: Sendo corretos e coerentes; a confiança leva tempo a construir-se. Além das exposições, promovemos tertúlias, conversas e colaborações com museus e centros de arte em várias cidades. Essas parcerias fortalecem o meio artístico e aproximam pessoas.
P: Vislumbra um dia ter um museu de arte contemporânea portuguesa que faça justiça ao que se produz hoje?
R: Não, nunca pensei nisso (risos). A galeria já funciona como um centro de arte ativo, com exposições e atividades durante todo o ano. Sou também colecionador, e o meu foco é conciliar bons investimentos e boa arte.
Desafios Recentes
P: Como tem sido a experiência recente da Galeria Fernando Santos na ARCOLisboa 2025? Afinal, em 2024 marcaram presença e "venderam quase tudo"; como está o balanço deste ano?
R: Participamos em feiras há muitos anos. São oportunidades únicas de divulgar artistas, conhecer novos colecionadores e perceber o que se faz na arte contemporânea. A ArcoLisboa é hoje um evento de referência, com grande presença internacional e um excelente espaço de networking. Aconselho todos a visitar feiras de arte — é a melhor forma de compreender o panorama atual.
Olhando para o futuro
P: Como vê o Quarteirão das Artes daqui a 5 ou 10 anos?
R: Gostava que a Câmara tornasse a rua mais agradável e acessível — talvez pedonal, com passeios largos. Há carros em cima dos passeios, pouca mobilidade. Fazer cultura é trazer as pessoas à rua, e precisamos de condições para isso: espaços acessíveis, seguros, onde famílias e crianças circulem com conforto.
P: Que planos tem para a Galeria Fernando Santos?
R: Continuar a fazer o que temos feito: apoiar artistas, dinamizar o Quarteirão e tornar a cidade mais apelativa. Educar para a arte é o nosso contributo para que o Porto nos entenda, nos visite e nos acolha.
Ao atravessar a Rua Miguel Bombarda, percebe-se o legado de Fernando Santos: mais do que uma galeria, um espaço de encontros e descobertas. Trinta anos depois, a Galeria Fernando Santos continua a pulsar com energia — entre tradição e inovação, artistas consagrados e artistas emergentes.
O verdadeiro impacto está nas relações humanas, na comunidade construída e na forma como um quarteirão se reinventou à sua volta. Para Fernando Santos, gerir uma galeria é, acima de tudo, cultivar uma família - e a arte é o elo que nos une.
Para mais informações sobre a Galeria Fernando Santos:
Morada: Rua Miguel Bombarda, nº526 4050-379 Porto, Portugal
Telefone: (+351) 226 061 090
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Fundadora do icónico Artes em Partes, do Centro Comercial Bombarda e cofundadora da Associação Quarteirão Criativo - onde impulsiona projetos como o Bombarda Circular e o Bombarda Maior - tem uma trajetória marcada pela reutilização, sustentabilidade e inovação.
“Queremos criar pontes, melhorar a rua e desenvolver projetos que envolvam toda a comunidade.”
Percurso e identidade criativa
P: Marina, como começa o teu percurso no mundo da criação e do comércio de autor?
R: Tenho formação em Design Gráfico, mas cedo percebi que não era esse o meu caminho. Quando o digital tomou conta da área, deixei de me rever naquilo. Sempre gostei de trabalhar com as mãos — de misturar materiais, recuperar peças antigas, dar nova vida a objetos. O meu pai tinha uma loja grande, a Italusa, e foi aí que comecei: criei a minha primeira loja, misturando velharias, design, livros, discos, peças de decoração e arte. Era um espaço muito eclético, que refletia bem o que eu sou — alguém que gosta de experimentar e cruzar mundos diferentes.
O projeto Artes em Partes
P: O Artes em Partes foi um dos projetos que marcou o início do movimento criativo em Bombarda. Como nasceu essa ideia?
R: Eu e uma amiga estávamos à procura de um espaço para criar algo diferente — ela queria abrir um café, eu queria continuar ligada às velharias e à arte. Encontrámos um edifício antigo na Rua Miguel Bombarda e decidimos avançar. Em 1998 abrimos o Artes em Partes. A ideia era simples: juntar pessoas de áreas diferentes e criar um espaço de encontro e partilha. Cada divisão da casa tinha um projeto distinto — lojas, galerias, oficinas, música, artes plásticas. Havia uma energia incrível.
P: E qual era o objetivo principal do projeto?
R: Queríamos dar lugar a quem não o tinha. Acolher artistas e criadores independentes, experimentar formatos novos e mostrar que o comércio podia ser também um ato cultural. O Artes em Partes foi um espaço vivo, que inspirou muita gente e ajudou a dar identidade à Miguel Bombarda.
Do Artes em Partes ao Centro Comercial Bombarda
P: O que te levou a criar o Centro Comercial Bombarda?
R: Quando o Artes em Partes terminou, senti que aquele espírito não podia desaparecer. Em 2010 surgiu a oportunidade de ocupar o espaço onde hoje é o CCBombarda, e decidi aplicar a mesma filosofia, mas de forma mais organizada. Sempre pensei neste lugar como uma galeria comercial — um espaço com luz, alma e projetos únicos. Nunca quis fazer um centro comercial tradicional.
P: Que tipo de projetos procuras acolher aqui?
R: Marcas sustentáveis, artistas, designers e artesãos que trabalhem com consciência e qualidade. Gosto de projetos que tenham identidade, que façam reaproveitamento de materiais, que contem uma história. Também criámos o Berdinho, o mercado biológico semanal, que aproxima produtores locais do público urbano. É isso que me motiva: juntar pessoas que acreditam no valor das coisas bem feitas.
Comunidade e futuro
P: És uma das fundadoras da Associação Quarteirão Criativo. O que vos levou a criar esta estrutura?
R: Foi a vontade de unir esforços. Já passei por várias tentativas de associativismo na rua, mas esta é diferente. A Associação Quarteirão Criativo nasceu para dar voz a quem faz parte deste ecossistema — artistas, lojistas, galeristas. Queremos criar pontes, melhorar a rua e desenvolver projetos que envolvam toda a comunidade.
P: Que projetos destacas neste momento?
R: O Bombarda Circular, o Afinidades e o Bombarda Maior são exemplos de como queremos pensar a cidade de forma mais sustentável e inclusiva. O Bombarda Maior, por exemplo, envolve pessoas com mais de 60 anos em atividades criativas e de apoio local. É uma forma de criar laços entre gerações e fortalecer o sentido de vizinhança.
Dimensão pessoal
P: Fora do trabalho, o que te inspira?
R: Gosto de joalharia, jardinagem e construção. Tenho uma casa no Alentejo onde passo horas a recuperar coisas antigas. É algo que me acalma e me liga à matéria. Acho que vem daí o meu gosto pela circularidade — pela ideia de que tudo pode ser reutilizado, transformado e reimaginado.
P: E se tivesses de resumir Bombarda numa palavra?
R: Crescimento. Porque este bairro está sempre em transformação, tal como as pessoas que o fazem.
Ao longo das últimas décadas, Marina Costa transformou ideias em lugares e lugares em comunidades. Do Artes em Partes ao CCBombarda, a sua visão ajudou a moldar o caráter criativo e independente do quarteirão. Em cada projeto, há uma constante: a crença de que a arte e o comércio, quando se encontram, podem criar algo maior — um espaço vivo, com identidade e cheio de futuro.
Para mais informações sobre a Marina Costa e o CCBombarda:
Email - info@ccbombarda.pt Facebook Instagram