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Podcast Bombarda - Manual de Sobrevivência Digital para Criativos
Podcast Bombarda - Trailer
Podcast Bombarda - Manual de Sobrevivência Digital para Criativos
Ser criativo, em alguns espaços de Bombarda, hoje, implica navegar entre o fazer artístico e as exigências do mundo digital.
Neste episódio, exploramos como artistas e empreendedores equilibram criação, comunicação e tecnologia num contexto cada vez mais exigente.
Com Ana Pina (Tincal Lab) e Ana Freitas (Coletivo Besta), e moderação de Patrícia Soares da Costa, a conversa percorre temas como websites, storytelling, redes sociais, inteligência artificial e chatbots — ferramentas que moldam o quotidiano criativo contemporâneo.
Entre aprendizagens, desafios e estratégias, emerge uma visão prática e honesta sobre o que significa criar no século XXI — onde o digital não substitui, mas amplia o processo criativo.
Porquê ouvir?
O episódio Manual de Sobrevivência Digital para Criativos propõe uma reflexão sobre o equilíbrio entre criação artística e presença digital num contexto cada vez mais tecnológico.
A conversa revela como os criativos de Bombarda transformam a tecnologia em aliada, encontrando formas de comunicar, vender e crescer sem perder identidade — um verdadeiro guia de sobrevivência para quem cria hoje.
O Podcast Bombarda é uma série criada pela equipa do Bombarda Digital que dá voz a quem constrói o Quarteirão no dia a dia — entre arte, comércio e comunidade.
Cada episódio explora diferentes dimensões deste território criativo, revelando histórias, práticas e visões que ajudam a imaginar o futuro de Bombarda.
HISTÓRIAS
DO QUARTEIRÃO
Conhece as histórias que enchem o Quarteirão Bombarda
Nascida em Lourenço Marques, atual Maputo, Lígia Soromenho cresceu com referências de diferentes lugares e paisagens que continuam a influenciar o seu olhar criativo. Aos 19 anos, chegou ao Porto, onde estudou História da Arte na Faculdade de Letras da Universidade do Porto e construiu grande parte do seu percurso pessoal e profissional.
Em 2005, iniciou a sua atividade empresarial, dando origem, dois anos depois, à mordomias. A marca desenvolve mobiliário, iluminação e objetos de decoração, explorando as possibilidades técnicas e estéticas de materiais compósitos, como a resina e a fibra de vidro.
“Os objetos contam histórias e participam discretamente na construção do lugar onde vivemos.”
Mais recentemente, com a abertura do showroom no CC Bombarda, surgiu a Capim Rose by mordomias, uma proposta complementar que privilegia materiais e expressões de carácter mais vernacular. Da sua coleção A Casa fazem parte peças como as cadeiras Chiado e as mesas Chá, concebidas para espaços de encontro, partilha e memória.
P: Como começou o teu percurso criativo?
R: A mordomias surgiu da perceção de que seria possível conjugar diferentes competências e sinergias, nomeadamente através do know-how do Filipe Tavares, que tem uma vasta experiência na indústria de produção de peças técnicas, sobretudo para o setor automóvel.
Esta experiência trouxe uma componente de inovação técnica à dimensão criativa do projeto. As características da resina e da fibra de vidro permitem, por exemplo, produzir mobiliário de exterior, abrindo novas possibilidades funcionais e estéticas.
A partir daí, fomos explorando diferentes aparências e aplicações dos materiais, desenvolvendo peças que, progressivamente, deram origem às várias coleções da marca.
P: O que vos levou a escolher materiais compósitos, como a resina e a fibra de vidro, para desenvolver mobiliário e iluminação?
R: Foi precisamente a descoberta das possibilidades plásticas destes materiais, aliada ao conhecimento técnico que já tínhamos e à capacidade de produção instalada.
P: Se tivesses de escolher três peças ou objetos que representam o espírito da mordomias em Bombarda, quais seriam e porquê?
R: A presença da mordomias em Bombarda surge com a Capim Rose, numa sequência natural do nosso percurso, mas com uma abordagem que se distingue pela natureza dos materiais selecionados.
São duas propostas que se complementam e partilham um espaço comum.
Dentro do universo da Capim Rose, destacaria três propostas que integram o primeiro projeto desenvolvido pela Capim Rose by mordomias, em Braga. São peças que simbolizam aquilo que nos motiva: a partilha de soluções e o design a habitar os espaços.
A primeira é um conjunto composto por uma cadeira em freixo e palhinha e uma mesa de apoio em aglomerado de madeira, que traduzem a identidade da marca. Destacaria ainda as cadeiras “Chiado”, a primeira peça desenhada para a coleção da Capim Rose, e as mesas “Chá”, a segunda criação desta coleção. (imagens de referência abaixo)
Portefólio
O trabalho da mordomias cruza design, experimentação material e produção de mobiliário, iluminação e objetos de decoração. Através de diferentes coleções e projetos personalizados, a marca explora a relação entre forma, função e espaço, valorizando tanto a dimensão técnica como a expressão estética de cada peça.
Com a Capim Rose by mordomias, este universo alarga-se a outras materialidades e referências, dando origem a objetos que procuram estabelecer uma relação próxima com os ambientes e com as pessoas que os habitam.
Candeeiros “GOTA / DROP” - Os Candeeiros “GOTA” - posteriormente “DROP” - foram lançados na Feira Internacional Maison & Objet (2008) e selecionados em 2011 para a mostra da Lafayette Maison, integrada na Paris Design Week.
Conjunto “Open ID” + Candeeiros “GOTA / DROP” - Selecionados em 2011 para a mostra da Lafayette Maison, no mesmo ano em que os candeeiros “GOTA” foram integrados ao evento durante a Paris Design Week.
Poltrona “FLOWER” - Lançada na primeira edição da mostra The Oporto Show 2010, realizada na Alfândega do Porto.
Como colaborar
A mordomias desenvolve coleções de mobiliário e iluminação em diferentes materiais e acabamentos, combinando design, conhecimento técnico e capacidade de produção.
Para além das coleções próprias, disponibiliza um serviço de encomendas personalizadas, adaptado às características e necessidades de cada espaço ou projeto.
A marca realiza também projetos de decoração de interiores e presta consultoria em design de mobiliário e iluminação, acompanhando o desenvolvimento de soluções que conciliam funcionalidade, estética e atenção ao detalhe.
Para conhecer as coleções, discutir uma proposta ou solicitar um projeto personalizado, basta entrar em contacto com a equipa ou visitar a loja e showroom no CC Bombarda.
Contactos
Website | Instagram | Facebook Email: geral@mordomias.pt Morada: CC Bombarda — Rua de Miguel Bombarda, 285, Loja 10, Porto
O percurso de João Vieira começou muito antes dos palcos e das pistas de dança, entre cassetes gravadas em casa, discos dos irmãos e uma curiosidade inesgotável pela música. No final dos anos 90, Londres abriu-lhe caminho para a criação de bandas, a produção musical e o universo dos clubes, experiências que continuaria a desenvolver a partir do Porto.
“O meu percurso na música começou muito cedo, quando tinha cerca de 9 ou 10 anos.”
Ao longo dos anos, editou dez álbuns, entre os X-Wife e os seus projetos a solo, e afirmou-se como DJ e promotor através do Club Kitten. Em 2023, publicou ainda o livro “The Story of Wolf”, pela Stolen Books. Mais recentemente, abriu a Mint Mint Record Shop, na Rua do Breiner, dando uma nova dimensão a uma paixão antiga: procurar discos, descobrir artistas e partilhar música com outras pessoas.
P: Como começou o teu percurso na música?
R: O meu percurso na música começou muito cedo, quando tinha cerca de 9 ou 10 anos. Comecei por gravar cassetes com os discos dos meus irmãos, gravava músicas da rádio e fazia várias mixtapes. A paixão pela música nasceu daí - colecionar discos, ir a concertos, comprar revistas de música e gravar os videoclipes da MTV. Só formei a minha primeira banda aos 21 anos, inicialmente como vocalista, e só mais tarde comecei a tocar guitarra. Um ano depois, fui viver para Londres, onde formei outra banda e comecei a escrever canções. Foi também nessa altura que criei o Club Kitten, iniciei a minha carreira como DJ e promotor de clubes e trabalhei na Tower Records, no ano 2000. Durante o período em que vivi em Londres, formei-me em Design Gráfico e acabei por criar a maioria das capas dos discos dos X-Wife, bem como os flyers do Club Kitten, entre outros projetos.
P: O que te levou a abrir a Mint Mint Record Shop?
R: Sempre tive uma paixão pela música e pelo vinil. Passei centenas de horas em lojas de discos à procura de música nova para passar no Club Kitten e para aumentar a minha coleção. Desde a adolescência que adoro fazer mixtapes para os outros e, mais recentemente, tenho tido várias experiências em rádio. Sou um ávido consumidor de música e adoro descobrir coisas novas - sejam lançamentos recentes ou discos que me escaparam no passado. Senti que este era um passo natural, uma nova fase da minha vida. Nos últimos vinte anos editei dez álbuns com os meus vários projetos e, além disso, continuo a fazer o Club Kitten, a tocar ao vivo e a trabalhar como DJ. Por tudo isso, faz todo o sentido lançar-me neste novo projeto. Para além disso, penso que o ressurgimento do vinil é já evidente. Se fosse há dez anos, provavelmente não consideraria esta possibilidade, mas as atuais condições tornam este tipo de negócio muito mais viável.
P: Em que novos desafios gostarias de te lançar nos próximos anos?
R: Não penso muito nisso. Lancei Wolf Manhattan há três anos, abri a loja este ano e continuo envolvido em todos os outros projetos musicais, além do trabalho de produção musical que atualmente faço para peças de teatro, vídeos promocionais de marcas e museus. Tenho uma agenda bastante preenchida e pouco tempo para lazer, por isso, neste momento, estou focado em fazer um bom trabalho em tudo o que tenho em mãos. Não sou muito de pensar a longo prazo, até porque a conjuntura está sempre a mudar. Prefiro concentrar-me no curto prazo e no momento presente.
P: O que gostas de fazer quando não estás a trabalhar?
R: Gosto de passar tempo em família, estar no sofá com os meus animais de estimação, conviver com amigos, ver filmes, acompanhar campeonatos de skate na televisão, viajar, ir a concertos e visitar exposições de arte que me inspirem. Gosto de conhecer coisas novas e, inevitavelmente, falar com pessoas na loja tornou-se uma parte do meu dia a dia que considero quase lazer. É uma das razões pelas quais gosto de ter uma loja: conversar com pessoas de várias gerações e de todo o mundo. Às vezes, pegar num disco da prateleira despoleta uma conversa e acabamos por descobrir algo novo…
P: Se tivesses de escolher três álbuns para servir de banda sonora a Bombarda, quais seriam?
R: Eu adoro ouvir hip hop na loja. A playlist que criei é quase toda de hip hop, por isso posso destacar estes três discos: - Neil Frances - There Is No Neil Frances - Little Simz - Lotus - Smerz - Big City Life
Portefólio
O percurso de João Vieira atravessa diferentes dimensões da criação musical, da composição e produção à performance ao vivo, à cultura de clubes e à curadoria musical. Entre os X-Wife, os projetos a solo White Haus e Wolf Manhattan, o Club Kitten e a Mint Mint Record Shop, o seu trabalho reflete uma relação contínua com a música enquanto espaço de experimentação, expressão artística e descoberta.
X-Wife - Feeding the Machine (2004) Álbum de estreia dos X-Wife, banda fundada por João Vieira, na qual assume composição, voz, guitarra e co-produção.
White Haus (2012) Projeto a solo de João Vieira que combina disco-punk, eletrónica e indie, explorando uma estética ligada à cultura de clube e à experimentação sonora.
Wolf Manhattan (2022) Projeto a solo criado por João Vieira, construído em torno de um alter-ego ficcional que compõe e grava com recursos mínimos, num registo lo-fi e intimista. O álbum apresenta 13 canções que orbitam temas como corações partidos, dúvidas e sonhos adiados, dando forma a um universo musical e narrativo próprio.
Como colaborar
A Mint Mint Record Shop é uma loja de discos independente, com serviço personalizado dedicada à descoberta e à partilha musical, com uma seleção cuidada de mais de 600 títulos, novos e usados.
Do indie, pós-punk e rock à world music, disco, hip hop, balearic, dub, ambient e experimental, a loja reúne diferentes géneros e sonoridades, privilegiando a curadoria e o contacto próximo com quem a visita.
Mais do que um espaço de compra de discos, a Mint Mint procura ser um lugar de encontro e descoberta, onde cada visita pode dar origem a uma conversa, uma recomendação ou uma nova referência musical.
Para conhecer a seleção disponível, descobrir algumas das pérolas em stock ou simplesmente conversar sobre música, basta visitar a loja em Bombarda.
Contactos
Instagram Localização Email: mintmintrecordshop@gmail.com Morada: Rua do Breiner, 32, 4050-124 Porto
Com formação em Engenharia e Arquitetura Paisagista, José Pedro encontrou na arte floral uma extensão natural de um percurso há muito ligado à paisagem e à botânica.
Entre referências orientais, modernismo, tropicalismo e uma relação próxima com o território, constrói uma linguagem própria onde emoção, espontaneidade e pragmatismo convivem - sempre com espaço para a surpresa.
“Procuro novas formas de expressar a beleza e o mistério das plantas.” - Azuma Makoto
P: Como começou o teu percurso criativo e o que te levou a trabalhar com flores e decoração?
R: Acho que tudo parte de um mero acaso e de muitas tentativas e erros. No âmbito da minha atividade como paisagista e agricultor, os clientes começaram a pedir alguns trabalhos de arte floral. Aquilo que inicialmente era um complemento acabou por se tornar algo mais sério.
Depois veio o casamento da minha irmã, onde tive liberdade total para criar algo diferente: um bouquet feito a partir de madeiras tratadas pelo sol, frutos verdes e flores outonais.
P: Tens alguma formação ou experiência que tenha marcado a tua prática e o teu olhar sobre o design floral?
R: A minha formação base em Engenharia e Arquitetura Paisagista foi fundamental para criar uma estética aliada à emoção e aos produtos da época, com uma pitada de pragmatismo e racionalidade.
O resto aprimora-se com muito trabalho e prática. Por vezes, trabalhar sob pressão também ajuda bastante — torna-nos resilientes e focados.
P: Quais são as tuas principais fontes de inspiração — natureza, arte, moda, arquitetura?
R: Como referi anteriormente, há as influências do Oriente, o fascínio pela cultura árabe, o mar e a paisagem da Ria de Aveiro.
Depois há a arquitetura, os movimentos modernistas e o tropicalismo, onde encontro um exotismo essencial para o meu trabalho. Roberto Burle Marx, Luís Barragán e o nosso Gonçalo Ribeiro Telles são algumas das minhas referências — pilares na criação de uma estética tropical, autóctone e simplista.
“Menos é mais” é o meu novo mantra diário.
P: Há alguma técnica, linguagem ou tendência que estejas particularmente entusiasmado em explorar nos próximos tempos?
R: Para além do minimalismo japonês, encontro uma grande praticidade nos nórdicos — sou fã dos estilistas belgas e holandeses — e fascina-me a arte criada pelos movimentos modernistas alemães.
E depois há a exuberância da América Latina. Como não amar as cores do México, os cheiros da culinária venezuelana ou a flora amazónica?
Os antípodas são a nova tendência desta década…
P: O que significa para ti o bairro de Miguel Bombarda? Lembras-te da primeira vez que o visitaste?
R: Sou frequentador de Bombarda desde 1995. São 30 anos a conviver e a descobrir um quarteirão vibrante e cheio de histórias hilariantes.
Para mim, o sucesso de Bombarda assenta em três pilares fundamentais.
Primeiro, Bombarda é feminina. As mulheres são o coração do bairro. São elas que levam isto para a frente; a sua determinação e força de vontade são fundamentais para que este projeto cresça e dê frutos.
Fala-se muito de empoderamento feminino, mas em Bombarda sempre houve e sempre haverá “pelo na venta” no feminino.
“Penso que Bombarda é o cavalo de Troia da cidade do Porto.”
Segundo, Bombarda é como um restaurante Michelin de três estrelas onde se fazem omeletes - as mais deliciosas e delicadas - sem ovos. Aqui, tudo se faz com muito trabalho e dedicação, sem grandes apoios, mas com a ajuda de todos.
É um bairro muito unido e ninguém é esquecido.
E, por fim, penso que Bombarda é o cavalo de Troia da cidade do Porto. Bombarda existe para provocar. Em Lisboa, temos um Bombarda como hospital psiquiátrico; no Porto, temos um conjunto de “maluquinhos” que fazem e acontecem na cidade. Sempre tive a ideia de que a elite cultural lisboeta invejou e almejou ter um Bombarda no Porto. Não é por nada, mas quando temos clientes — bem-queridos e fantásticos — de Lisboa no nosso espaço, perguntam sempre porque não há uma loja destas na capital.
Portefólio
A prática do Violetas Creative Studio parte da botânica para criar composições onde flores, folhagens, frutos, texturas e outros elementos naturais se transformam em matéria de criação.
Entre design floral, decoração e eventos, cada projeto procura estabelecer uma relação próxima com o lugar, o momento e as pessoas, privilegiando a sazonalidade, a sensibilidade e a singularidade dos materiais.
Decoração de Casamentos e Eventos Sociais Arranjos florais e styling para casamentos e eventos sociais, incluindo decoração, arte floral, desenho e ilustração.
Decoração Floral com peças de cerâmica Composição floral e peça decorativa — Violetas Creative Studio. (Decoração para espaços interiores, com flores secas e cerâmica artística.)
Luminárias Artesanais Luminária artesanal criada no Violetas Creative Studio. (Peça desenvolvida à mão, com foco em textura, luz e ambiente.)
Arranjos Florais Personalizados Bouquets e arranjos artesanais criados pelo Violetas Creative Studio. (Composições florais feitas à mão, adaptadas ao estilo e ocasião de cada cliente.)
Como colaborar
O Violetas Creative Studio é um espaço dedicado à arte, à botânica, às sensações e aos afetos.
Atualmente, desenvolve projetos completos para eventos sociais e casamentos, abrangendo decoração, arte floral, desenho e ilustração, com propostas concebidas de forma personalizada para cada contexto.
Para conhecer o trabalho do Violetas Creative Studio, propor uma colaboração ou solicitar um projeto personalizado, basta entrar em contacto diretamente com o atelier.
In Bombarda, creativity is not confined to galleries or shop windows: it also happens in the ateliers and workshops that are part of the neighbourhood’s everyday life.
From metalwork and ceramics to furniture and designer objects, there are spaces where creation, production and presentation exist side by side. Places where you can meet the people behind the work, learn more about the materials and, sometimes, experience the creative process for yourself.
From the street to the studio, we visit five spaces that reveal a more intimate and handcrafted side of Bombarda.
Jewellery Experience
At CCBombarda, Jewellery Experience brings the world of jewellery closer to everyone who walks through its door. Created by designers Diogo Dalloz and Luma Boêta, it operates as both a shop and an atelier, presenting original pieces and bespoke projects. Here, jewellery can also become an experience.
The space offers different formats that invite visitors to discover the techniques and processes behind the craft, including jewellery-making experiences and workshops dedicated to creating wedding rings.
It is an opportunity to understand the work behind a piece — and, in some cases, to take part in creating it.
On Rua do Rosário, Tobe Atelier is Benedetta Grasso’s creative world, where jewellery and ceramics come together. Each piece is designed and handmade in Porto, celebrating the individuality of the materials and the subtle differences that make every object unique.
The atelier is both a place of work and discovery. Alongside its jewellery and ceramic collections, the project develops unique and bespoke pieces and hosts workshops where participants can experiment with both practices. Here, the handmade process is not hidden away: it is an essential part of each piece’s identity.
On Rua Adolfo Casais Monteiro, Ó! Cerâmica brings three dimensions together in one place: gallery, studio and shop. This combination naturally connects the exhibition space with the place where ceramics are imagined and made.
More than a place to find finished pieces, Ó! Cerâmica offers a closer look at a practice in which material, experimentation and creation are all part of the same journey.
It is a space that reveals Bombarda’s more hands-on, author-driven side.
At Alma Nova, furniture and objects for the home are given new stories. The project creates handcrafted furniture and home décor in Porto, focusing on individual pieces and an approach that values creativity and transformation.
Alongside its own creations, Alma Nova sources personalised pieces and gives existing furniture a new lease of life through creative interventions.
Its practical workshops add a participatory dimension to the project, inviting others to experience the pleasure of making things with their own hands.
Founded by Portuguese jeweller Ana Pina, Tincal lab is both a workshop and a gallery dedicated to contemporary jewellery. Based at CCBombarda since 2018, it brings creation, experimentation, exhibition and contact with the public together in a single space.
Under the motto curating and experimenting in contemporary jewelry, the project presents solo and group exhibitions, collaborations and workshops with guest jewellers, showcasing work by Portuguese and international artists.
More than a jewellery shop, it is a place to discover contemporary jewellery as a field of creation and experimentation.
In Bombarda, the distance between the person who creates a piece and the person who discovers it can be remarkably small.
These five spaces reveal a neighbourhood where ateliers, workshops, shops and galleries coexist, and where creative processes become part of the visitor experience. From ceramics and jewellery to furniture and designer objects, there are stories, techniques and materials to discover beyond the shop windows.
Discover Bombarda and what happens on the other side of the shop window, through the hands of the people who create here.
O que pode nascer do encontro entre uma peça com quase três séculos de história e a criação contemporânea de Bombarda?
É a partir desta aproximação entre tempos, linguagens e formas de olhar que se constrói o Afinidades. Em cada edição, uma peça da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis é escolhida como ponto de partida para desafiar artistas ligados ao Quarteirão Bombarda a desenvolver novas interpretações, estabelecendo relações entre património, território e criação contemporânea. Depois de duas edições dedicadas à joalharia e à cerâmica contemporâneas, em 2024 e 2025, o projeto regressa em 2026 para explorar um novo território artístico: as práticas gráficas contemporâneas.
A Edição de 2026 - Práticas Gráficas Contemporâneas
Com curadoria de Júlio Dolbeth, ilustrador, investigador e professor da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, esta terceira edição desafiou artistas com prática ou representação no território de Bombarda a criar obras originais a partir de um objeto da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis. O projeto conta ainda com design expositivo de Sílvia Pinto Costa e com a produção de Marina Costa e Vera Gonçalves, numa equipa constituída por elementos das duas instituições promotoras.
O ponto de partida foi uma Caneca Inglesa produzida na Real Fábrica de Vidros de Coina entre 1719 e 1747. Em vidro incolor transparente e cuidadosamente lapidado, a peça testemunha o desenvolvimento técnico da produção vidreira portuguesa no século XVIII e a circulação de conhecimentos e influências no contexto europeu.
A transparência, o brilho, o volume e a história deste objeto utilitário deram origem a diferentes possibilidades de leitura. Através do desenho, da ilustração, da colagem, da impressão e de práticas mistas, os artistas foram convidados a traduzir a matéria em imagem e a estabelecer novas relações entre objeto, memória e narrativa.
A edição de 2026 começou a 28 de março, com uma sessão pública no Museu Nacional Soares dos Reis. O encontro apresentou o programa, a peça de inspiração, a curadoria e o funcionamento da chamada aberta, reunindo representantes do Museu, da Associação Quarteirão Criativo e da comunidade artística.
A apresentação da Caneca Inglesa por Paula Oliveira, gestora das coleções de Mobiliário, Vidro e Gravura do Museu, permitiu conhecer o contexto histórico, material e museológico da peça. A sessão revelou também como um objeto aparentemente simples pode guardar múltiplas histórias sobre produção, circulação, uso e transformação.
O programa prolongou-se para além da chamada aberta. Em maio, o Museu recebeu o workshop “Laminado Gráfico”, orientado por Júlio Dolbeth e Marta Belkot. A partir de embalagens de Tetrapak reutilizadas como matrizes de impressão, os participantes experimentaram princípios da calcografia e novas formas de transpor o volume e a transparência do vidro para a superfície do papel.
Estes diferentes momentos fizeram do Afinidades não apenas uma exposição, mas um processo de encontro, aprendizagem e criação partilhada entre artistas, instituições e públicos.
Quarenta e nove interpretações de um mesmo objeto
O resultado deste percurso pode agora ser conhecido na exposição “Afinidades 2026 — Práticas Gráficas Contemporâneas”, inaugurada a 25 de julho na Sala das Pedras do Museu Nacional Soares dos Reis.
A exposição reúne 49 obras de artistas ligados ao Quarteirão Bombarda. Partindo da mesma peça, cada participante desenvolveu uma interpretação própria, demonstrando a diversidade de linguagens, técnicas e perspetivas que caracteriza a criação contemporânea do território.
O conjunto transforma a Caneca Inglesa num ponto de partida para múltiplas narrativas. Entre a permanência do vidro e a fragilidade do papel, entre a memória histórica e o olhar do presente, as obras mostram como o património pode permanecer vivo quando é interrogado, reinterpretado e colocado em relação com novas práticas artísticas.
Até 13 de setembro, os visitantes podem participar presencialmente na votação que, em conjunto com a avaliação do júri, contribuirá para a escolha da obra vencedora. A exposição permanece patente até 11 de outubro de 2026.
O Afinidades afirma-se, assim, como uma plataforma de ligação entre o Museu Nacional Soares dos Reis e o ecossistema criativo de Bombarda. Um projeto que aproxima património, território e criação contemporânea, abrindo novas possibilidades de descoberta tanto para quem visita o Museu como para quem vive, trabalha e cria no quarteirão.
Afinidades 2026 — Práticas Gráficas Contemporâneas Local: Museu Nacional Soares dos Reis Agenda:
Exposição até 11 de outubro de 2026
Votação do público até 13 de setembro de 2026
Fotografias no artigo: Associação Quarteirão Criativo, por João Octávio Peixoto
Esta edição do Afinidades é promovida pelo Museu Nacional Soares dos Reis em parceria com a Associação Quarteirão Criativo, com o mecenato do Super Bock Group, o patrocínio da DORF e o apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo — Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.
Com formação em Artes Plásticas e um percurso que se estende pela fotografia, design, cerâmica, curadoria e ensino, Sílvia construiu uma prática multidisciplinar onde diferentes áreas se alimentam mutuamente.
Na SCAR-ID, esse percurso traduz-se numa curadoria assente na qualidade, na sustentabilidade e na valorização de criadores independentes.
"A ética não se aprende, vem de base — e a sustentabilidade é uma obrigação de um posicionamento em sociedade."
P: Como começou o teu percurso criativo? Como chegaste aos dias de hoje? Que influência tiveram as Artes Plásticas no teu percurso?
R: O curso de Artes Plásticas, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, deu-me uma base muito abrangente, que me permitiu trabalhar em diferentes áreas ao longo do tempo. Passei pela fotografia, pela cerâmica, pelo design, pela curadoria e pelo ensino, e sinto que foi essa formação que uniu todas as experiências profissionais que fui acumulando.
Curiosamente, nunca mais pintei depois de terminar o curso. Talvez um dia volte.
O meu percurso foi acontecendo de forma muito natural, sem um plano definido. Cada oportunidade abriu caminho para a seguinte — da fotografia ao ensino, da História da Arte à coordenação do curso de Design do IAI, e mais recentemente à cerâmica, onde reencontrei o prazer de trabalhar diretamente com a matéria.
P: Tens alguma formação ou experiência que tenha influenciado a tua visão sobre a relação entre design, ética e sustentabilidade?
R: A formação em Artes Plásticas foi determinante para desenvolver uma visão transversal das disciplinas criativas. No caso da SCAR-ID, muito do que aprendemos aconteceu ao longo destes doze anos de trabalho, enfrentando desafios e encontrando respostas de forma criativa.
A ética não se aprende, vem de base, e a sustentabilidade é uma consequência natural dessa forma de estar. Ao introduzirmos novos produtos num mercado já saturado, procuramos fazê-lo com sentido de missão, incentivando um consumo mais consciente: comprar menos, mas melhor.
Para nós, sustentabilidade significa sobretudo proximidade, responsabilidade e cuidado.
P: Como descreves o processo curatorial da SCAR-ID? Qual a importância de existir um espaço físico?
R: A curadoria acontece de forma muito orgânica. Estou constantemente atenta ao que acontece nas áreas criativas e, quando surge a vontade de integrar uma nova marca, organizar uma exposição ou promover uma conversa, tudo acontece de forma bastante natural.
O espaço físico é absolutamente essencial. Trabalhamos com objetos e com pessoas, e a loja-galeria é o lugar onde essas duas dimensões se encontram.
Acredito profundamente na importância de uma cidade viva, feita de lojas, galerias, cafés, ateliers, floristas e espaços culturais que alimentam a vida urbana. Sinto que a SCAR-ID faz parte desse diálogo e desse ecossistema. Manter uma loja-galeria física é, para mim, quase um manifesto a favor da cidade e da convivência entre pessoas.
Não faria sentido existir SCAR-ID sem esse espaço.
P: Que desafios encontras atualmente no setor do design independente e sustentável em Portugal?
R: O principal desafio continua a ser o mesmo: a reduzida capacidade de compra do público nacional. Os produtos que apresentamos têm um preço justo para quem os cria, mas nem sempre são compatíveis com a realidade económica portuguesa.
Por outro lado, as pequenas marcas enfrentam também enormes desafios ao nível da produção. Ainda existe pouca abertura da indústria para colaborar com designers e projetos independentes.
P: O que representa para ti o bairro Miguel Bombarda?
R: Estamos em Bombarda há mais de doze anos. Ao longo deste tempo o bairro transformou-se. Se antes era marcado sobretudo pelas galerias de arte, hoje integra também lojas, ateliers, cafés, floristas e muitos outros projetos que lhe dão identidade. É essa diversidade que faz de Bombarda um lugar especial para trabalhar.
Existe um verdadeiro sentido de comunidade, de entreajuda e de proximidade. Conhecemo-nos, colaboramos e sabemos que podemos contar uns com os outros sempre que é preciso.
Portefólio
A prática da SCAR-ID cruza curadoria, design de autor e criação artística, reunindo marcas independentes, produção responsável e projetos desenvolvidos em diferentes áreas, da cerâmica ao design contemporâneo.
SCAR-I10 — Open Call / Exposição (2023) Projeto comemorativo dos 10 anos da SCAR-ID, reunindo mais de 50 participantes e propostas transdisciplinares apresentadas em conversas e exposição final.
Amálgama Líquida — jarra em grés com vidrado branco Peça desenvolvida pela artista no âmbito da Open Call do 10.º aniversário da SCAR-ID; integra a linha ATER.
Casaco — acrílico preto sobre branco Peça da coleção ATER x LIV, desenvolvida em coautoria com a marca LIV.
Como colaborar
A SCAR-ID dedica-se à curadoria e divulgação de design de autor produzido por marcas e criadores independentes, reunindo moda, acessórios, cerâmica e objetos de design produzidos de forma responsável.
Para além da loja-galeria, desenvolve projetos de consultoria criativa, curadoria, parcerias e acompanhamento de marcas independentes.
Se pretende conhecer as marcas representadas, propor uma colaboração ou visitar o espaço, a equipa da SCAR-ID está sempre disponível para receber novos projetos e novas ideias.