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Os Espaços
Aqui encontras toda a informação útil sobre os espaços de Bombarda, como a sua oferta artística e cultural, produtos e serviços, horários de funcionamento, localização e contactos.
O que pode nascer do encontro entre uma peça com quase três séculos de história e a criação contemporânea de Bombarda?
É a partir desta aproximação entre tempos, linguagens e formas de olhar que se constrói o Afinidades. Em cada edição, uma peça da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis é escolhida como ponto de partida para desafiar artistas ligados ao Quarteirão Bombarda a desenvolver novas interpretações, estabelecendo relações entre património, território e criação contemporânea. Depois de duas edições dedicadas à joalharia e à cerâmica contemporâneas, em 2024 e 2025, o projeto regressa em 2026 para explorar um novo território artístico: as práticas gráficas contemporâneas.
A Edição de 2026 - Práticas Gráficas Contemporâneas
Com curadoria de Júlio Dolbeth, ilustrador, investigador e professor da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, esta terceira edição desafiou artistas com prática ou representação no território de Bombarda a criar obras originais a partir de um objeto da coleção do Museu Nacional Soares dos Reis. O projeto conta ainda com design expositivo de Sílvia Pinto Costa e com a produção de Marina Costa e Vera Gonçalves, numa equipa constituída por elementos das duas instituições promotoras.
O ponto de partida foi uma Caneca Inglesa produzida na Real Fábrica de Vidros de Coina entre 1719 e 1747. Em vidro incolor transparente e cuidadosamente lapidado, a peça testemunha o desenvolvimento técnico da produção vidreira portuguesa no século XVIII e a circulação de conhecimentos e influências no contexto europeu.
A transparência, o brilho, o volume e a história deste objeto utilitário deram origem a diferentes possibilidades de leitura. Através do desenho, da ilustração, da colagem, da impressão e de práticas mistas, os artistas foram convidados a traduzir a matéria em imagem e a estabelecer novas relações entre objeto, memória e narrativa.
A edição de 2026 começou a 28 de março, com uma sessão pública no Museu Nacional Soares dos Reis. O encontro apresentou o programa, a peça de inspiração, a curadoria e o funcionamento da chamada aberta, reunindo representantes do Museu, da Associação Quarteirão Criativo e da comunidade artística.
A apresentação da Caneca Inglesa por Paula Oliveira, gestora das coleções de Mobiliário, Vidro e Gravura do Museu, permitiu conhecer o contexto histórico, material e museológico da peça. A sessão revelou também como um objeto aparentemente simples pode guardar múltiplas histórias sobre produção, circulação, uso e transformação.
O programa prolongou-se para além da chamada aberta. Em maio, o Museu recebeu o workshop “Laminado Gráfico”, orientado por Júlio Dolbeth e Marta Belkot. A partir de embalagens de Tetrapak reutilizadas como matrizes de impressão, os participantes experimentaram princípios da calcografia e novas formas de transpor o volume e a transparência do vidro para a superfície do papel.
Estes diferentes momentos fizeram do Afinidades não apenas uma exposição, mas um processo de encontro, aprendizagem e criação partilhada entre artistas, instituições e públicos.
Quarenta e nove interpretações de um mesmo objeto
O resultado deste percurso pode agora ser conhecido na exposição “Afinidades 2026 — Práticas Gráficas Contemporâneas”, inaugurada a 25 de julho na Sala das Pedras do Museu Nacional Soares dos Reis.
A exposição reúne 49 obras de artistas ligados ao Quarteirão Bombarda. Partindo da mesma peça, cada participante desenvolveu uma interpretação própria, demonstrando a diversidade de linguagens, técnicas e perspetivas que caracteriza a criação contemporânea do território.
O conjunto transforma a Caneca Inglesa num ponto de partida para múltiplas narrativas. Entre a permanência do vidro e a fragilidade do papel, entre a memória histórica e o olhar do presente, as obras mostram como o património pode permanecer vivo quando é interrogado, reinterpretado e colocado em relação com novas práticas artísticas.
Até 13 de setembro, os visitantes podem participar presencialmente na votação que, em conjunto com a avaliação do júri, contribuirá para a escolha da obra vencedora. A exposição permanece patente até 11 de outubro de 2026.
O Afinidades afirma-se, assim, como uma plataforma de ligação entre o Museu Nacional Soares dos Reis e o ecossistema criativo de Bombarda. Um projeto que aproxima património, território e criação contemporânea, abrindo novas possibilidades de descoberta tanto para quem visita o Museu como para quem vive, trabalha e cria no quarteirão.
Afinidades 2026 — Práticas Gráficas Contemporâneas Local: Museu Nacional Soares dos Reis Agenda:
Exposição até 11 de outubro de 2026
Votação do público até 13 de setembro de 2026
Fotografias no artigo: Associação Quarteirão Criativo, por João Octávio Peixoto
Esta edição do Afinidades é promovida pelo Museu Nacional Soares dos Reis em parceria com a Associação Quarteirão Criativo, com o mecenato do Super Bock Group, o patrocínio da DORF e o apoio do Círculo Dr. José de Figueiredo — Amigos do Museu Nacional Soares dos Reis.
Com formação em Artes Plásticas e um percurso que se estende pela fotografia, design, cerâmica, curadoria e ensino, Sílvia construiu uma prática multidisciplinar onde diferentes áreas se alimentam mutuamente.
Na SCAR-ID, esse percurso traduz-se numa curadoria assente na qualidade, na sustentabilidade e na valorização de criadores independentes.
"A ética não se aprende, vem de base — e a sustentabilidade é uma obrigação de um posicionamento em sociedade."
P: Como começou o teu percurso criativo? Como chegaste aos dias de hoje? Que influência tiveram as Artes Plásticas no teu percurso?
R: O curso de Artes Plásticas, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, deu-me uma base muito abrangente, que me permitiu trabalhar em diferentes áreas ao longo do tempo. Passei pela fotografia, pela cerâmica, pelo design, pela curadoria e pelo ensino, e sinto que foi essa formação que uniu todas as experiências profissionais que fui acumulando.
Curiosamente, nunca mais pintei depois de terminar o curso. Talvez um dia volte.
O meu percurso foi acontecendo de forma muito natural, sem um plano definido. Cada oportunidade abriu caminho para a seguinte — da fotografia ao ensino, da História da Arte à coordenação do curso de Design do IAI, e mais recentemente à cerâmica, onde reencontrei o prazer de trabalhar diretamente com a matéria.
P: Tens alguma formação ou experiência que tenha influenciado a tua visão sobre a relação entre design, ética e sustentabilidade?
R: A formação em Artes Plásticas foi determinante para desenvolver uma visão transversal das disciplinas criativas. No caso da SCAR-ID, muito do que aprendemos aconteceu ao longo destes doze anos de trabalho, enfrentando desafios e encontrando respostas de forma criativa.
A ética não se aprende, vem de base, e a sustentabilidade é uma consequência natural dessa forma de estar. Ao introduzirmos novos produtos num mercado já saturado, procuramos fazê-lo com sentido de missão, incentivando um consumo mais consciente: comprar menos, mas melhor.
Para nós, sustentabilidade significa sobretudo proximidade, responsabilidade e cuidado.
P: Como descreves o processo curatorial da SCAR-ID? Qual a importância de existir um espaço físico?
R: A curadoria acontece de forma muito orgânica. Estou constantemente atenta ao que acontece nas áreas criativas e, quando surge a vontade de integrar uma nova marca, organizar uma exposição ou promover uma conversa, tudo acontece de forma bastante natural.
O espaço físico é absolutamente essencial. Trabalhamos com objetos e com pessoas, e a loja-galeria é o lugar onde essas duas dimensões se encontram.
Acredito profundamente na importância de uma cidade viva, feita de lojas, galerias, cafés, ateliers, floristas e espaços culturais que alimentam a vida urbana. Sinto que a SCAR-ID faz parte desse diálogo e desse ecossistema. Manter uma loja-galeria física é, para mim, quase um manifesto a favor da cidade e da convivência entre pessoas.
Não faria sentido existir SCAR-ID sem esse espaço.
P: Que desafios encontras atualmente no setor do design independente e sustentável em Portugal?
R: O principal desafio continua a ser o mesmo: a reduzida capacidade de compra do público nacional. Os produtos que apresentamos têm um preço justo para quem os cria, mas nem sempre são compatíveis com a realidade económica portuguesa.
Por outro lado, as pequenas marcas enfrentam também enormes desafios ao nível da produção. Ainda existe pouca abertura da indústria para colaborar com designers e projetos independentes.
P: O que representa para ti o bairro Miguel Bombarda?
R: Estamos em Bombarda há mais de doze anos. Ao longo deste tempo o bairro transformou-se. Se antes era marcado sobretudo pelas galerias de arte, hoje integra também lojas, ateliers, cafés, floristas e muitos outros projetos que lhe dão identidade. É essa diversidade que faz de Bombarda um lugar especial para trabalhar.
Existe um verdadeiro sentido de comunidade, de entreajuda e de proximidade. Conhecemo-nos, colaboramos e sabemos que podemos contar uns com os outros sempre que é preciso.
Portefólio
A prática da SCAR-ID cruza curadoria, design de autor e criação artística, reunindo marcas independentes, produção responsável e projetos desenvolvidos em diferentes áreas, da cerâmica ao design contemporâneo.
SCAR-I10 — Open Call / Exposição (2023) Projeto comemorativo dos 10 anos da SCAR-ID, reunindo mais de 50 participantes e propostas transdisciplinares apresentadas em conversas e exposição final.
Amálgama Líquida — jarra em grés com vidrado branco Peça desenvolvida pela artista no âmbito da Open Call do 10.º aniversário da SCAR-ID; integra a linha ATER.
Casaco — acrílico preto sobre branco Peça da coleção ATER x LIV, desenvolvida em coautoria com a marca LIV.
Como colaborar
A SCAR-ID dedica-se à curadoria e divulgação de design de autor produzido por marcas e criadores independentes, reunindo moda, acessórios, cerâmica e objetos de design produzidos de forma responsável.
Para além da loja-galeria, desenvolve projetos de consultoria criativa, curadoria, parcerias e acompanhamento de marcas independentes.
Se pretende conhecer as marcas representadas, propor uma colaboração ou visitar o espaço, a equipa da SCAR-ID está sempre disponível para receber novos projetos e novas ideias.
Em 2021 fundou a Rádio YéYé, uma plataforma digital que define como "um reflexo dos estilos de vida que compõem o tecido urbano contemporâneo".
Assente no espírito comunitário, na partilha entre diferentes gerações de ouvintes e na liberdade editorial, a YéYé afirmou-se rapidamente como um espaço de militância musical, colaboração e descoberta, reunindo dezenas de autores, DJs e criadores que contribuem para uma rádio feita de pessoas, e não de algoritmos.
“Uma rádio feita de pessoas, e não de algoritmos."
Em 2025, o projeto instalou o seu estúdio no Quarteirão Miguel Bombarda, reforçando a ligação ao ecossistema cultural independente do Porto. Um bairro cuja vitalidade artística reflete o espírito da própria rádio: um projeto coletivo, aberto ao encontro, à experimentação e à descoberta de novas formas de escutar o mundo.
P: Como começou o teu percurso na música?
R: Há 44 anos, enquanto DJ.
P: Há algum projeto ou colaboração que consideres um turning point na tua carreira?
R: Ter sido A&R da editora Nortesul durante 23 anos (1994–2017).
P: Que desafios enfrentas atualmente na tua área?
R: Conseguir rentabilizar e financiar uma atividade dirigida a minorias.
P: Que conselho darias a alguém que queira criar uma rádio?
R: Que esqueça! :)
P: Se tivesses de escolher três músicas para servir de banda sonora a Bombarda, quais seriam?
R: Sven Wunder — Liquid Mountains; Pedro Mizutani + Skinshape — Canal; Leroy Conroy — Enter
Portefólio
A Rádio YéYé desenvolve uma programação dedicada à música independente e à cultura contemporânea, promovendo novos artistas, concertos, sessões ao vivo e conteúdos editoriais produzidos a partir do seu estúdio em Bombarda.
DJ set (44 anos de atividade) - Nas últimas quatro décadas, Pedro Tenreiro tem desenvolvido uma prática contínua como DJ, marcada pela pesquisa, pela descoberta musical e pela ligação profunda às culturas urbanas.
Rádio YéYé – plataforma digital de curadoria musical - Criador da Rádio YéYé, plataforma dedicada a refletir os estilos de vida do tecido urbano contemporâneo e a promover consumos musicais alternativos através de uma comunidade ativa de autores.
A&R da editora Nortesul (1994–2017) - Durante 23 anos, desempenhou funções de A&R na Nortesul, contribuindo para a descoberta, acompanhamento e desenvolvimento artístico de projetos musicais dentro da editora.
Como colaborar
Atualmente, a Rádio YéYé encontra-se focada no desenvolvimento de concertos filmados e gravados no seu estúdio. Embora não esteja a aceitar novas colaborações editoriais, o projeto está aberto a patrocinadores e parceiros que pretendam apoiar novos formatos de música ao vivo e conteúdos culturais independentes.
Bombarda é reconhecida como um dos principais polos criativos do Porto, onde arte, design, comércio independente e cultura convivem lado a lado. Mas há outro elemento que ajuda a definir a identidade do bairro: a música.
Mais do que um lugar para assistir a concertos, Bombarda é um território de descoberta. Aqui encontramos espaços dedicados ao vinil, rádios independentes, projetos culturais e comunidades que fazem da música uma forma de encontro, partilha e experimentação.
Se gosta de explorar novos sons, conhecer artistas ou simplesmente perder-se entre discos e conversas sobre música, estes cinco espaços merecem uma visita.
Matéria Prima
Com mais de três décadas de história, a Matéria Prima é uma referência para quem procura descobrir música para lá dos circuitos mais comerciais.
Especializada em discos, livros, revistas e publicações independentes, reúne um catálogo cuidadosamente selecionado e uma forte ligação às editoras e artistas independentes.
A programação do espaço inclui regularmente apresentações, lançamentos e iniciativas dedicadas à cultura musical, fazendo da Matéria Prima um dos locais incontornáveis para quem gosta de explorar novas propostas sonoras. Saber mais
Open Box
A Open Box é um espaço cultural onde diferentes disciplinas artísticas se encontram, incluindo a música. A sua programação acolhe concertos intimistas, DJ sets, performances e eventos multidisciplinares que convidam à descoberta de novos artistas e formatos.
Com uma agenda dinâmica e em constante renovação, é um daqueles espaços que vale a pena acompanhar, porque cada visita pode revelar uma experiência diferente e uma nova banda sonora para o bairro. Saber mais
Circus Network
Na Circus Network, a música faz parte da identidade do projeto.
Para além da programação artística e cultural, o espaço integra uma Record Shop especializada em vinil, onde é possível descobrir edições novas e usadas que percorrem universos como house, techno, jazz, soul, hip-hop, eletrónica e música experimental.
Entre lançamentos, encontros informais e uma forte ligação à criação contemporânea, a Circus Network é um espaço onde a música se cruza naturalmente com a arte e a cultura visual. Saber mais
RÁDIO YÉYÉ
A Yé Yé Radio trouxe uma nova dimensão ao bairro ao criar um espaço dedicado à rádio independente e à cultura musical contemporânea.
Através de emissões regulares, programas de autor, DJs convidados e projetos colaborativos, promove artistas emergentes e dá voz a diferentes comunidades criativas.
Mais do que um estúdio de rádio, é um ponto de encontro onde a música é partilhada, discutida e celebrada, contribuindo para a diversidade cultural que caracteriza Bombarda. Saber mais
Mint Mint
Para quem aprecia a experiência de descobrir música em formato físico, a Mint Mint é uma paragem obrigatória.
Especializada em discos de vinil, a loja reúne uma seleção cuidada que atravessa diferentes géneros e épocas, tornando-se um ponto de encontro para colecionadores, DJs e todos os que gostam de explorar novas sonoridades.
Ao longo do ano, o espaço acolhe também sessões de escuta, apresentações e pequenos eventos que reforçam a ligação entre a música e a comunidade criativa de Bombarda. Saber mais
Em Bombarda, a música vive além do palco.
Está nas lojas que preservam a cultura do vinil, nas rádios independentes que revelam novos talentos e nos espaços culturais onde diferentes expressões artísticas se cruzam.
Cada um destes lugares contribui, à sua maneira, para a identidade criativa do bairro e convida a descobrir a música de forma mais próxima e espontânea.
Entre sem destino, deixe-se levar pela curiosidade e descubra o seu próximo disco ou a sua próxima playlist.