Entre exposições, festivais, edições e projetos paralelos como a Circus Records e a Jazzego Records, o percurso de André reflete uma prática profundamente ligada à experimentação e à cultura urbana.
Num território como Bombarda, onde diferentes linguagens criativas se cruzam diariamente, o seu trabalho afirma-se como ponto de encontro entre artistas, públicos e cidade.
“There’s more to life than this.”
P: Além da Circus, sabemos que fazes muito mais como criativo de Bombarda - queres falar um bocadinho sobre o teu percurso e como concilias todas as tuas frentes de trabalho?
R: De uma forma resumida, concilio tudo mal e dormindo pouco.
A Circus é, sem dúvida, o projeto principal, logo a seguir à família (que isto de ser pai tem muito que se lhe diga), sendo o que me toma mais tempo.
P: Como descreves o teu processo curatorial e a forma como escolhes os artistas com quem trabalhas?
R: Cada projeto tem uma curadoria específica que advém de um processo de discussão ativa entre vários intervenientes. Briefings específicos requerem artistas adequados para tal. Quando é uma modalidade mais livre, grande parte da curadoria parte de uma premissa muito básica: aquilo que consideramos bom, o que nos atrai e o que nos entusiasma naquele momento.
P: Quais são as tuas principais fontes de inspiração ou referências estéticas?
R: Atualmente, sou largamente inspirado pelo movimento post-graffiti, que traz uma nova vertente de exploração abstrata para o muralismo.
Tenho também estado muito interessado no trabalho do artista venezuelano Carlos Cruz-Diez e nos lookbooks do designer Salehe Bembury. Ainda assim, grande parte da inspiração vem de onde sempre veio: da cultura de sapatilhas e das capas de discos. Não é incomum encontrar referências a Wu-Tang Clan e outros clássicos nas exposições que fazemos.
P: Quais são algumas das músicas que tens ouvido recentemente? E um livro que te tenha marcado?
R: Músicas:
- Gaztween – Firewater ft. B. Ghost, Black Lavender, Minus & MRDolly;
- Fiasco – Que Seja
- Pedro Ricardo & Damián Botigué – Cerca de Mi
- Fleetwood Mac – Landslide
- John Coltrane – Favorite Things
Livro: Shoe Dog, de Phil Knight
P: Que espaços de Bombarda recomendarias a quem quer descobrir o bairro criativ
R: Bicho, Época, Matéria Prima, Ó Cerâmica, Cruzes Canhoto e Decomur.
Portefólio
A prática da Circus Network cruza diferentes formatos — festivais, exposições, edição musical e projetos colaborativos.
Fenda — Festival Internacional de Arte Pública
Festival que promove o diálogo entre artistas, comunidades e espaço urbano. Com curadoria da Circus Network, reúne criadores nacionais e internacionais em torno de murais, instalações e projetos colaborativos que transformam a paisagem da cidade.
Dollar Dollar Bills Y’all — Exposição coletiva internacional
Exposição que reúne 27 artistas de diferentes países, desafiados a transformar a rara nota de dois dólares em obras de arte. O projeto combina técnicas tradicionais com realidade aumentada, explorando novas formas de expressão visual.
Granito I — Jazzego Records (2022)
Primeira compilação da Jazzego Records, reunindo músicos e produtores ligados à cena jazz e eletrónica contemporânea, celebrando a experimentação sonora e o espírito colaborativo.
Como colaborar
A Circus Network atua como galeria, loja e agência criativa, desenvolvendo projetos de curadoria, representação artística, edição, produção de eventos e edição musical independente. Está aberta a colaborações, exposições, residências artísticas e propostas criativas.
Contactos: Website | Instagram | Email - circusnetwork.net@gmail.com